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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

*Cada estrofe é despedida.

.

Dorme a dor dentro de mim,
Perde o peito, a paz enfim.
Põe a alma em desencanto;
Perde o eco, a minha voz.
Sem canto que fale em nós,
Fica a vida mudo pranto.

Na noite que não termina,
Meu fado não se ilumina;
Cada nota é meu degredo.
Se o tempo não apagou,
Cada lágrima que ficou;
Nesta dor traz meu segredo

Morre a luz no meu olhar,
Nada fico a recordar.
Cada nota é minha vida,
Fica só o meu enredo.
O fado leva meu segredo.
Cada estrofe é despedida.


Marceneiro-Fado cravo
 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

*Bebo amor as minhas lagrimas

..

Bebo amor as minhas lagrimas

 Bebo amor, o meu sofrer, 
 feito lagrimas de dor, 
 pla paixao que me envolveu, 
 são tuas, nao são mentidas 
 sao as lágrimas sofridas, 
 que o tempo nao resolveu , 

 Bebo amor, lágrimas tristes , 
 pois da traiçao nao desistes, 
 meu amor traiste querendo , . 
 São amargas, nao perdidas, 
 São marcas das nossas vidas 
 em que acabei perdendo 

 Bebo amor, noites sem fim, 
 Tudo em mim diz que é o fim, 
 perdido em sonhos quebrados. 
 em silêncio, um desatino, 
 me segreda que o destino 
 são os teus passos passados. 

 Bebo amor, bem devagar 
 para o tempo mal passar, 
 porque a saudade é só minha, 
 vivo em dor, e nao reclamo, 
 mesmo sofrendo esse engano, 
 prefiro ficar sozinha  

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

*Não me cantes por compaixão

Não cantes por compaixão
se não sentes no coração
os sons da minha voz.
Antes quero que me digas
se ao meu canto já não ligas,
e hoje já não somos  nós

O meu fado não pede pena 
nem se canta fazendo cena 
se  o cantares  sem amor,
pois perde a sua verdade, 
 a alma fica em saudade
perde  todo o seu valor 

Não quero o teu cuidado, 
nem o gesto disfarçado 
que teu peito já não sente. 
mata  a tua compaixão,
e não mintas ao coração,
meu fado dor, está carente,  

Musica do fado cravo de Alfredo Marceneiro  

domingo, 28 de dezembro de 2025

*Na esperança do amor futuro

Trago o silêncio na mão
 no escuro do coração
Quando o amor quer viver,
amor, sem pedir abrigo;
em tudo que te não digo,
fica a dor de te não ter.

Traria a calma na mão,
do fundo do coração,
Se o teu amor for ficar,
amar sem medo, ou castigo;
em tudo o que agora digo,
moraria a paz de amar.

Trarei aurora na mão,
no claro do coração.
Se teu amor for ficar,
serás sempre, meu abrigo;
e na boca eu sempre digo,
viverei para te amar.  
 
Levarei a tua mão
pelo brilho do coração.
Quando juntos o amor falar,
será calma sem castigo;
em cada gesto que sigo,
viveremos para amar. 

Musica do fado cravo de Alfredo Marceneiro  

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

*Eterno fado

Nestes versos fiz  morada 
Da ternura desejada 
Onde o sonho vem morar 
A canção que nos embala 
Como vento que não cala 
Na promessa de te amar 

Sob a luz branca do luar 
Vem meu peito te esperar
No compasso da canção
A saudade se disfarça 
Na ternura que se enlaça
No silêncio da paixão 

No encanto de te amar
O teu rosto vem brilhar 
Feito estrela a me guiar 
Um encanto que se acende 
Quando a noite nos entende 
E decide nos juntar 

Nos caminhos do destino 
Há traçado tão divino 
Que nos leva a um só lugar 
Onde o fado se entrelaça 
Com a vida que se abraça 
No desejo de ficar 

Neste verso fica escrito 
O segredo mais bonito 
Que a alma quis revelar 
Entre sonhos e luar 
Nosso amor há de ficar
Para sempre a cintilar

Alfredo Marceneiro-Fado cravo

 

sábado, 27 de setembro de 2025

Fado refúgio

Ainda se ouve por ai muita gente referir-se a Helder Moutinho, como o irmão do Camané, é tempo de acabar com essa injustiça, para com um fadista como ele e mais do que isso, um cada vez mais afirmado senhor do fado, um poeta de alta qualidade, como se nota neste fado

Este refúgio é apenas um exemplo

Agradeço o magnífico grafismo de Vitaskaly, a quem delicadamente roubei este trabalho

Se o fado é canto da alma
Refúgio da noite calma
Engano do sofrimento
Eu trago na voz, a vida
Que me tem sido oferecida
Eu trago na voz, o vento

Se um amor que se perdeu
Que se afastou ou esqueceu 
Deixou de ser meu lamento
Eu trago na voz, a vida
De uma breve despedida 
Eu trago na voz, o vento

São meus sonhos, a saudade
Minha vida, uma verdade 
E meu canto, uma oração
Eu trago na voz, o vento
Para afastar o lamento 
Que trago no coração

sábado, 19 de julho de 2025

*Canto este fado para ti

Trago um grito, em minha alma,
trago um fado pra cantar,
com serena e doce calma,
Feito só pra te lembrar,
canto este fado pra ti
e toda a vida te adorar

Tenho um nó dentro do peito,
Que não posso desatar,
E saudades em meu leito,
Que insiste em te chamar,
Canto este fado pra ti,
E sonhando te beijar

Tenho um fado, na garganta,
E um sonho em meu olhar
e minha alma já se encanta,
Só por ver o teu passar,
canto este fado pra ti,
na alegria de te amar

Tenho choro, em minha alma
mas que não quero dizer,
Suave dor que não se acalma
Com vontade de viver
Canto este fado pra ti
Com medo de te não ter

na música do Fado cravo de Alfredo Marceneiro

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Teu olhar é uma luz

Tu sabes,meu coração,
o caminho da paixão, 
podes sempre adivinhar, 
teu olhar tem uma luz, 
o farol que me conduz, 
a junto de ti querer ficar, 

No pulsar ,do meu ensejo, 
teu toque é meu desejo 
pra alma te encontrar. 
teu olhar,tem mais sabor, 
traz com ele todo o calor  
onde quero me entregar. 

Teu amor, quero abraçar, 
onde eu quero morar , 
o abrigo que quis ter, 
o teu olhar tem mais luz 
onde minh alma conduz , 
pra onde eu quero viver, 


 Alfredo Marceneiro-Fado cravo

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

De loucura em loucura

Trago aqui uma letra de João Dias que Ricardo Ribeiro canta para o fado cravo de Alfredo Marceneiro



Vou de loucura em loucura

Como quem anda á procura
De uma constante ilusão
Velho sonho em que persigo
Uma voz um rosto amigo
Perdido na multidão

Vou de loucura em loucura
Que o próprio vento murmura
Promessas de um bem ausente
Estranha alma é a minha
Que se sente tão sozinha
Entre tanta e tanta gente

Vou de loucura em loucura
Como quem anda á procura
De uma alma fugidia
Olhos perdidos nos céus
Eu canto pedindo a Deus
Pra me encontrar qualquer dia






sexta-feira, 10 de julho de 2015

Boa noite solidão

Tento não divulgar aqui o que habitualmente circula abundantemente pela net, eis a razão porque não tenho nada da Amália (por exemplo) porque quem a quer ouvir tem tudo por aí publicado. Hoje abro uma excepção por um dos fados mais ouvidos e que constatei agora que ando em arrumações , não ter aqui publicado . Claro que a autoria é do Jorge Fernando e normalmente (quase sempre) são sextilhas cantadas nas do Carlos da Maia. Aproveito esta ocasião de ter encontrado este fado cantado em fado cravo do Alfredo Marceneiro ( é para mim como já tenho dito juntamente com o fado Santa Luzia os meus favoritos), pela Maria da Nazaré , gosto mais desta opção

Boa-noite solidão,
Vi entrar pela janela,
O teu corpo de negrura,
Quero dar-me à tua mão,
Como a chama duma vela,
Dá a mão à noite escura.

Só tu sabes, solidão,
A angústia que traz a dor,  
Quando o amor a gente nega,

Como quem perde a razão,
Afogamos nosso amor, 
No orgulho que nos cega.

Os teus dedos, solidão,
Despenteiam a saudade,

Que ficou no lugar dela,
Espalhas saudades p'lo chão,
E contra a minha vontade, 

Lembras-me a vida com ela.

Com o coração na mão,
Vou pedir-te, sem fingir, 

Que não me fales mais dela,
Boa-noite solidão,
Agora quero dormir, 

Porque vou sonhar com ela.






terça-feira, 9 de outubro de 2012

Confessando

Após alguma ausência retomo mais uma época de publicação, com o mesmo amor ao fado de sempre.

Simbolicamente retomo com Fernando Maurício , com a mais lindo dos tradicionais o Fado Cravo, e uma letra de Jorge Fernando que fala sobre a presença eterna da nossa mãe, junto de nós, mesmo quando fisicamente nos deixa,





Esta carta minha mãe
É o espelho onde o teu filho
Se desnuda totalmente;
O fogo que o vinho tem
Acendeu este rastilho
E a coragem de ser gente

É por ela, sim confesso
Que de segundo a segundo

Bebo a febre de morrer,
Mas quando a vires, só te peço
Não lhe contes o meu mundo,
Não lhe dês esse prazer

Neste meu quarto isolado
O vinho que vou bebendo
A sua imagem retém,
Sobrevivo neste fado,
Muito embora eu a perdendo,
Continuo a ter-te mãe




A letra como acontece muitas vezes é uma referência que retirei do Fados do fado a quem como sempre agradeço realçando o grande trabalho em prol do fado

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Oração

Nasceu em Cascais há 67 anos, mas nunca envelheceu.
A morte levou-o, poucos dias depois de fazer 22 anos.

Para ler mais um pouco

Canta sobre o fado cravo de Alfredo Marceneiro esta linda letra de Jorge Empis
Quero-te mais do que á vida
Como quem com a morte lida
Quero a Deus Nosso Senhor
Quero-te com toda a alma
E ninguém me leva a palma
A querer-te com tanto ardor

Como fadista á guitarra
Preso está na mesma garra
Assim preso por ti estou
Como a tristeza á saudade
Como a morte á eternidade
Como a dor a quem chorou

Por isso confio ao fado
Que é amigo dedicado
As penas do coração
Pego na guitarra e canto
E ás vezes este meu pranto
Faz lembrar uma oração




quarta-feira, 19 de março de 2008

Triste sorte


João Ferreira Rosa afirmou-se como uma personalidade singular no meio do fado lisboeta.

Monárquico assumido e com uma personalidade irreverente, Rosa possui já uma carreira com cerca de três décadas, isto apesar de um percurso discográfico extremamente diminuto.

A justificação para a sua parca discografia é dada pelo cantor, que afirma que nos estúdios de gravação "não existe ambiente para se cantar".

Por isso, prefere promover tertúlias fadistas em Alcochete, onde vive.


Em Junho de 1996 é editado o álbum "Ontem E Hoje", gravado no Palácio de Pintéus, sua propriedade, em Loures. Um trabalho que inclui onze temas gravados ao primeiro take, por um cantor que afirma que o fado é algo que se vive no momento.

Não sendo monárquico não deixo por ísso de ser um grande admirador seu.


Volta aqui ao blogue, pela 3ª vez, para cantar este fado como letra sua e música de Alfredo Marceneiro. o
Fado Cravo

Ando na vida à procura

duma noite menos escura
que traga luar do céu
duma noite menos fria

em que não sinta agonia

dum dia a mais que morreu


Vou cantando amargurado

mais um fado e outro fado

que fale do fado meu,

meu destino assim cantado

jamais pode ser mudado

porque do fado sou eu.

Ser fadista, é triste sorte,

que nos faz pensar na morte,

e em tudo que em nós morreu,

andar na vida à procura,

duma noite menos escura,
que traga luar dos céus