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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Teu cheiro


Helena de Castro, uma fadista da  Mouraria, que já aqui foi referida algumas vezes, pode acrescentar à sua carreira que passou, por grandes casas de fado, hotéis e teatro de revista, a faceta de poetisa, como é o caso deste poema por si interpretado, para a música do fado margaridas de Miguel Ramos.

Quem quiser visitar o seu cantinho no FB, encontrará por lá outros poemas e outros fados que o seu talento e a sua extraordinária voz, valorizam 


Guardo em mim, o cheiro do teu amor,
cobrindo o meu corpo, como lençóis,
cheira a pinho, tem  perfume de flor,
de verdes campos, beijados plo Sol

Molha meu corpo, com tuas marés,
nelas, tens o cheiro a maresia
então, envolta nessa magia,
deixa, que adormeça a teus pés,

Se partes, fica esse teu odor,
penso, que ainda estás comigo,
A mistura do cheiro, é melhor 
quando faço e quero amor contigo

Meu amor é só no Paraíso,
que me encontro, e me dou assim,
para ser tua, nada mais preciso,
que teu cheiro, guardado em mim.


Na guitarrada de hoje trago aqui na guitarra Ricardo Martins e na viola Aníbal Vinhas interpretando o Vira de Frielas

domingo, 10 de junho de 2012

Ovelha negra

Há já muitos anos que ouvi com muito agrado Helena de Castro cantar nos Ferreiras em Lisboa, onde cantou algum tempo, junto do grande mestre Fernando Maurício. Perdi-lhe o rasto, mas não esqueci a sua magnífica voz de tonalidade grave que muito me agrada e a forma como interpreta os fados do seu vasto repertório.

Quando se canta o fado, sem que as palavras façam doer na alma de quem ouve, é sinal que saíram por acaso boca fora de quem as disse e isso sente-se, eis a razão porque vozes estupendas não triunfam junto de quem as ouve e outras quase sem explicação aparente permanecem eternamente na memória de quem ama o fado.

Este é o caso de Helena de Castro, basta ouvi-la uma noite para se perceber que cada fado que canta, nunca lhe é indiferente ainda que saibamos que o cantou centenas de vezes.

Voltei a reencontra-la,numa noite de fado em Portimão, no café Nacional onde acontece fado de 15 em 15 dias sempre com a presença do guitarrista Ricardo Martins e do viola Aníbal Vinhas

Este fado é um poema de João Dias aqui cantado sobre a música do fado 3 bairros de Casimiro Ramos

Chamaram-me, ovelha negra,
Por não aceitar a regra,
De ser coisa, em vez de ser,
Rasguei o manto do mito,
E pedi mais infinito,
Na urgência de viver.

Caminhei vales e rios,
Passei fomes, passei frios,
Bebi água dos meus olhos,
Comi raízes de dor,
Doeu-me o corpo de amor,
Em leitos feitos de escolhos,

Cansei as mãos e os braços
Em negativos abraços
Em que a alma, foi ausente,
Do sangue das minhas veias,
Ofereci taças bem cheias,
Á sede de toda a gente

Arranquei, com os meus dedos,
Migalhas de grãos, segredos
Da terra, escassa de pão,
E foi por mim que viveu
A alma que Deus me deu,
Num corpo feito razão





Fonte ; blog de Ricardo Martins