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quarta-feira, 6 de maio de 2026

*Poema eterno


Versos desbotados, folhas de outono,
Contam a história dum amor calado,
Ergo palavras soltas e sem dono,
Vivas no peito de amor selado.

Em cada verso revive a paixão,
Poema antigo a pedir por ficar,
Na luz da lua renasce a canção,
Meu motivo, meu verso e meu lar.

Que o tempo não apague o passado,
Que este poema não tenha mais fim,
Em cada verso, amor não curado,
E no silêncio, ainda vives em mim.

E se a noite se fecha em teu nome,
Ainda em mim teimas em brilhar,
Nem o silêncio jamais te consome,
Pois és verso que insiste em ficar.

Júlio Proença-Fado Esmeraldinha

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

*Fado do amor calado

Versos desbotados, folhas de outono,
Contam a história dum amor calado,
Ergo palavras em castelo sem dono,
Guardo teu nome no peito selado.

Em cada verso revive a paixão,
Poema antigo que insiste em ficar,
Sob a luz da lua renasce a canção,
És meu motivo, meu verso e meu lar.

Que o tempo não apague o passado,
Que este poema não tenha jamais fim,
Em cada verso, amor não curado,
E no silêncio, ainda vives em mim.

E se a noite se fecha em teu nome,
Ainda em mim teimas em brilhar,
Nem o silêncio jamais te consome,
Pois és verso que insiste em ficar.


Júlio Proença-Fado Esmeraldinha

sexta-feira, 7 de março de 2025

*Amor sem fim

Se a saudade apertar no teu peito,
lembra sempre que o tempo é traiçoeiro,
na vida nossa dor é um defeito,
mas o amor será sempre verdadeiro.

Que tua alma jamais conheça o medo,
de viver e amar com  intensidade,
amar exige força  no segredo,
e buscar no escuro a felicidade.

Na solidão o silêncio é  parceiro,
mas o amor é  chama que não  apaga,
se  a vida nos separar por inteiro,
o amor nos  juntará em nova  saga.

Se a noite me trouxer breve cansaço,
recorda que o amor não se desfaz,
na dor o coração encontra um laço ,
e o lume da paixão renasce em paz.

Se o céu se cobrir de cinza e pranto,
não temas, nosso  amor terá seu brilho,
até na dor há força, doce  encanto,
é nosso  fado  a guiar o nosso trilho.

Júlio Proença-Fado Esmeraldinha

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

À mercê duma saudade

Sabe-se que Camané cantou pela primeira vez em público na velha Cesária em Alcântara local que eu e muita gente da minha geração  que ama o fado guarda enorme recordação e saudade. Toda a gente cantava ali, até eu me atrevi a cantar um dia um dos fados que mais gosto ainda hoje  chamado a Saudade que me dói de Vasco de Lima Couto.

Tal como eu Camané também pediu para cantar uma vez e acho que nunca mais parou, ao contrário de mim, que há muito nem sequer me atrevo a tentar, é que independentemente da voz ser boa ou não ser , não consigo cantar por manifesta incapacidade em suster a minha sensibilidade . Talvez seja uma das razões porque detesto quem canta para despachar apenas uma tarefa.

A letra  deste fado é da também fadista Aldina Duarte, uma das fadistas que eu sinto que tem a sensibilidade à flor da pele. A musica neste caso é o fado Esmeraldinha de Júlio Proença

O amor anda à mercê duma saudade 
Com ele anda sempre a ilusão 
O nosso amor não tem a mesma idade 
Mas tem a mesma lei no coração 

Sabemos qual a ânsia da chegada 
E nunca recordamos a partida 
Trazemos na memória renegada 
A dor de uma distância sem saída 

Existem entre nós sonhos calados 
Que a vida não permite acontecer 
Por vezes sigo os teus olhos parados 
E sinto que é por ti que vou viver 

Recuso lamentar a minha entrega 
Teus braços são a minha liberdade 
O amor é fantasia que nos cega 
É força que transforma a realidade



quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Apelo

Este poema de Pedro Homem de Mello, aqui interpretado pelo Paulo Penim para o Fado Esmeraldinha de Júlio Proença, também é muito bem interpretado por Joana Amendoeira, embora com outra música, da autoria de Pedro Pinhal, também um excelente trabalho, como se pode aferir aqui


Quem quer que sejas, vem a mim apenas
de noite quando as rosas adormecem,
vem quando a treva alonga as mãos morenas
e quando as aves de voar se esquecem


Vem a mim quando até, nos pesadelos
o amor tenha a beleza da mentira,
vem quando o vento acorda em meus cabelos,
como em folhagem que á vida respira.

Vem como a sombra quando, a estrada é nua,
no risco de asa vem, serenamente,
como as estrelas quando não há lua,
ou como os peixes quando não há gente


Vem a mim quando até nos pesadelos
o amor tenha a beleza da mentira.




terça-feira, 29 de novembro de 2011

Se tu partires

A enorme felicidade que todos nós, amantes do fado, sentimos pelo reconhecimento do nosso fado como Património da humanidade, eu deixo aqui a voz de um símbolo, de todos aqueles que há muitos anos dão ao fado tudo o que têm. Muitos deles permanecerão apenas o conhecimento de alguns, nunca alcançaram o estrelato, mas lutam todos os dias pelo seu amor.

O exemplo aqui é de Luís Manuel que também é o autor da letra para a música do fado Esmeraldinha de Júlio Proença

Se tu partires amor um longo adeus
soltam meus pobres lábios de fugida,
qual hino de paixão subindo aos céus,
nessa tão triste hora da partida.

Se tu partires amor, eu peço a Deus,
que a saudade te assalte docemente,
e te traga na volta, os braços meus,
para ficares comigo, eternamente.

Pois seja aqui ao lado, no fim do mundo,
mesmo que corras mais que o próprio vento,
vai te alcançar o meu amor profundo,
neste correr veloz do pensamento.



domingo, 10 de abril de 2011

Julguei endoidecer

Tomei hoje conhecimento da morte de Alcindo de Carvalho, vitimado pela doença de Alzheimer aos 78 anos, no passado dia 6 de Dezembro de 2010.

Embora tardiamente deixo a minha homenagem a mais um grande nome, que ficará para sempre na história do fado


Aqui o trago de novo cantando uma letra de Tristão da Silva para o Fado Esmeraldinha de Júlio Proença

Para ler mais sobre Alcindo de Carvalho ver a sua biografia no portal do Museu do Fado

Julguei endoidecer quando partiste
Deixando entre nós dois, funda barreira
Caiu dentro de mim, a noite triste,
Feita de sombras negras, sem clareira

Durante dias, fui folha caída
Que o tampo vai levando por aí
Fumei, chorei, bebi, mal disse a vida
E desejei morrer, morrer por ti

Perdido sim eu fui, porque a saudade
Falou em mim, mais alto que a razão
Não me deixando ver esta verdade
Não és mulher que valha esta paixão

Quero voltar á vida, á vida que vivi
Quero voltar a ser, tal como outrora
Maldito seja o dia em que te vi
Bendita sejas tu, p'la vida fora


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Luar no teu corpo

Do seu trabalho de 1999 com o título Nas minhas mãos da editora Ovação,Alexandra a grande fadista do Fundão, trouxe-nos este fado com letra de José Luis Gordo cantado sobre o tradicional fado Esmeraldinha de Júlio Proença

Viemos desse tempo tão antigo
Entre esse mar das mãos que tu me dás
As ondas desse mar, por meu castigo
Ficam pressas no vento se não estás

Só posso ordenar aos meus sentidos
O tempo desse tempo que não esqueço
Ao lembrar os caminhos proibidos
Nas luas do teu corpo onde amanheço

Naquela estrela onde o sol se deita
Cabia tão perfeito o nosso espaço
Na janela do meu peito fico á espreita
Entre a vidraça aberta do cansaço

Das lágrimas que chorei eu fiz um mar
De oceanos de tristeza e alegria
Amei por entre as noites e o luar
Que ao nosso lado, amor, também dormia