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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Sotão da amendoeira


Na voz do Fernando Maurício, que tantas vezes ouvi cantar este fado, a sós ou repartindo o fado com outros colegas.

É uma saudade.

Letra de Carlos Conde Música de Raul Pinto-Marcha


Naquele típico sótão Sob as telhas mais antigas
Da Rua da Amendoeira
Inda há traços que denotam

O sabor dado às cantigas
Pla Matilde cantadeira

Airosa mas inconstante

A Matilde dava ao Fado
A graça de outros estilos

No velho café cantante
Que ficava mesmo ao lado
Da Estalagem dos Camilos

No sótão esconso e sujo
Três sombras, porte ufano
Espreitam a Mouraria
As lágrimas dum Marujo

Os ciúmes dum Cigano
E os remorsos de um Rufia

Senti presos os meus pés
Mas desviei o caminho

E quedei-me ali à beira

Só para ver outra vez

Aquele sótão velhinho
Da rua da Amendoeira

Fado da sina

João Braga volta aqui para cantar um velho fado que pertenceu ao repertório da grande e inesquecível Hermínia Silva.


Letra de Amadeu do Vale e Música de Jaime Mendes que assinou música e canções para alguns dos mais populares filmes portugueses de sempre, como O Costa do Castelo, O Leão da Estrela, A Menina da Rádio ou Um Homem do Ribatejo, e criações como o Fado da Sina, o Fado Marialva ou Lenda das Algas. Faleceu em 1997, com 94 anos.



Reza-te a sina nas linhas traçadas na palma da mão
Que duas vidas se encontram cruzadas no teu coração
Sinal de amargura, de dor e tortura, de esperança perdida
Indício marcado, de amor destroçado na linha da vida

E mais te reza na linha do amor que terás de sofrer
O desencanto ou leve dispor de uma outra mulher
Já que a má sorte assim quis, a tua sina te diz
Que até morrer terás de ser sempre infeliz

Não podes fugir ao negro fado brutal
Ao teu destino fatal que uma má estrela domina
Tu podes mentir às leis do teu coração
Mas ai... quer queiras quer não
Tens de cumprir a tua sina

Cruzando a estrada da linha da vida traçada na mão
Tens uma cruz, a afeição mal contida que foi uma ilusão
Amor que em segredo, nasceu quase a medo, p'ra teu sofrimento
E foi essa imagem a grata miragem do teu pensamento

E mais ainda te reza o destino que tens de amargar
Que a tua estrela de brilho divino, deixou de brilhar
Estrela que Deus te marcou, mas que bem pouco brilhou
E cuja luz aos pés da cruz já se apagou



sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Fado do cartaz

Teresa Tarouca, volta aqui para cantar um dos seus fados mais conhecidos

Letra de Manuel de Andrade musica de Alfredo Marceneiro-Marcha

Numa tasca bem castiça
De paredes de caliça
Um cartaz se destacava;
Foi uma grande toirada
Disse, da mesa avinhada
Um campino que ali estava

De manhã o sol nascia
E já ao longe se ouviam
Os foguetes a estalar

Veio a tarde sorridente
Foi aos toiros toda a gente

Estava a praça a abarrotar.

O Simão, alegre e vivo
Cravou seis ferros ao estribo
Num toiro dos de Bandeira.

Mascarenhas, meia praça
Pega com a fina graça

Desse Marquês de Fronteira

Depois, o mestre João
Arrancou grande ovação
Com o seu novo tourear

E num toiro de Salgueiro
Foi Ricardo, o cernelheiro

Jorge Duque a rabujar

Quando o campino acabou
Toda a gente reparou
Que estava quase a chorar

Ficou na tasca castiça
Destacado entre a caliça

Um cartaz p’ra recordar

o agradecimento habitual ao blog fados no fado


sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Pombalinho

Eu gosto muito de ouvir a Margarida Bessa, embora a ouça pouco, como à maioria dos artistas portugueses, as rádios e as Tvs portuguesas não gostam de fado.

Este fado é da autoria de Carlos Nozes e a música de M.Franklim

Caso não consiga ouvir o fado, escolhendo a opção de fim de página clicar >>>>> aqui

Avé Maria sagrada



Naquela casa afastada
A miséria fez morada
E nunca mais quis saír;
Quem lá mora, não tem nada
Mas nos vasos da sacada
Há saudades a sorrir

Saudades lembram a esperança
Que nunca morre nem cansa / Se viveu no coração
Embora pesem no peito
Sombras d’amor já desfeito / Sempre fica uma ilusão

Por isso mesmo, que importa
Que a saudade bata á porta / Se a esperança entra a seguir
E como o sol da alvorada
Nos canteiros da sacada / Há saudades a sorrir

Créditos: Letra de fados no fado (com os meus agradecimentos)


Pombalinho - Margarida Bessa

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Perdida

Este fado de Max, mais um do grande fadista madeirense, (raramente recordado por essa sua vertente, é o mais pelo lado menor das "Mulas da cooperativa "), em música de Carlos Rocha, com letra de Artur Ribeiro


Não rias não faças troça,
de quem passa enquanto danças,
já foste menina e moça,
já tiveste louras tranças.

Agora louca e perdida,
de tudo o que já foi teu,
andas a rir divertida ,
do Mundo que te perdeu.

Assim perdida,
da vida ausente
estás convencida,
que esta vida,
é só o presente.

Mas não te esqueças,
que a boa estrada,
sempre aparece
depois da má terminada

Deixa a roupa da desgraça,
cair de manso a teus pés,
e verás que bem se passa
sem luxos nem cabarets.

E de novo assim vestida,
duma maneira diferente,
deixarás de ser perdida,
serás mulher novamente.



sábado, 13 de dezembro de 2008

Rua do Capelão(Novo fado da Severa)

A cantadeira Dina Teresa de seu verdadeiro nome, Dina Moreira, nasceu em Avintes (Vila Nova de Gaia), em 1902 e morreu em Lisboa em 1984. Foi durante muito tempo actriz secundária de revista, até que Leitão de Barros a escolheu pelo seu tom de pele (pois era muito morena), depois de um concurso para a protagonista do filme “Severa” em 1931. Foi ele quem lhe escolheu o nome e a iniciou no percurso da fama. Apareceu em enumeras revistas, mas nunca conseguiu atingir primeiro plano como cantadeira.

Crédito : retirado do blogue Fado canto

Letra de Júlio Dantas música de Fernando Freitas

Oh Rua do Capelão
Juncada de rosmaninho;
Se o meu amor vier cedinho
Eu beijo as pedras do chão
Que ele pisar no caminho

Tenho um degrau no meu leito / Que é feito p'ra ti somente
Oh meu amor, sobe-o com jeito
Se o meu coração te sente / Fica-me aos saltos no peito

Tenho o destino marcado / Desde a hora em que te vi
Oh meu cigano adorado
Viver abraçada ao fado / Morrer abraçada a ti

Créditos : Letra retirada de fados do Fado


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Lugar vazio


Tony de Matos , o artista nascido no Porto mas que se tornou um símbolo do fado lisboeta, faleceu em Lisboa em 1989, com 75 anos

Este fado tem letra de Fernando Farinha e música de Alberto Correia

É de noite que me lembro de tudo o que eu tinha
Ao deixar-te abandonada, deitada, sózinha
Lembro aquela felicidade que um dia foi minha

Chego a julgar-me a teu lado, contigo deitado
Procuro na escuridão, mas o teu lugar vazio
Está tão vazio e tão frio
Como esse teu coração

Olhando a tua moldura, deduzo por fim
Que ambos sofremos o mesmo destino ruim
Falta nela o teu retrato e faltas-me tu a mim

Caso não consiga ouvir o fado, escolhendo a opção de fim de página clicar >>>>> aqui

Lugar Vazio - Tony de Matos

domingo, 7 de dezembro de 2008

Maria Madalena

Este fado tem letra de Gabriel de Oliveira sob mote de Augosto Gil e música de Fernando Freitas (pai de Fernando Girão)

Cantado por Lucília de Carmo, fadista já falecida mãe de Carlos do Carmo. Nasceu em Portalegre em 1920, embora tenha vindo para Lisboa apenas com 5 anos.

Uma estilista do fado, que durante anos explorou uma casa de fados bem conhecida em Lisboa com o nome de Faia.

Faleceu em 1999 depois de doença prolongada.

Quem por amor se perdeu
Não chore, não tenha pena
Uma das santas do céu
Foi Maria Madalena

Desse amor que nos encanta
Até Cristo padeceu

Para poder tornar santa
Quem por amor se perdeu


Jesus só nos quis mostrar
Que o amor não se condena

Por isso, quem sabe amar
Não chore, não tenha pena


A Virgem Nossa Senhora
Quando o amor conheceu

Fez da maior pecadora
Uma das santas do céu


E de tanta que pecou
Da maior á mais pequena

Aquela que mais amou
Foi Maria Madalena


Creditos : Letra retirada de Fados no fado




quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Primeiro amor

A Letra é de Nelson de Barros a música de Frederico Valério a voz inconfundível da nossa cigana do fado Cidália Moreira

Ai quem me dera
Ter outra vez vinte anos
Ai como eu era
Como te amei, santo Deus!
Meus olhos
Pareciam dois franciscanos
À espera
Do sol que vinha dos teus

Beijos que eu dava
Ai como quem morde rosas
Quanto te esperava
Na viva que então vivi
Podiam acabar os horizontes
Podiam secar as fontes
Mas não vivia sem ti

Ai como é triste
De o dizer não me envergonho
Saber que existe
Um ser tão mau, tão ruim,
Tu que eras
Um ombro para o meu sonho
Traíste o melhor que havia em mim

Ai como o tempo
Pôs neve nos teus cabelos
Ai como tempo
As nossas vidas desfez
Quem me dera
Ter outra vez desenganos
Ter outra vez vinte anos
Para te amar outra vez!



quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Sopra o vento

Joana Amendoeira, acumula tudo, canta maravilhosamente, tem uma voz de sonho, cheia de cor e de alma fadista, escolhe muito bem o repertório e além disso é LINDA !!!

É por isso que volta aqui, mas aproveito para recomendar, como sempre que não deixem de os ouvir ao vivo, o fado vale muito mais quando presenciado.

Canta este fado, que apanhei por aí ,divinamente, com letra de Fernando Pessoa e música de Paulo Paz

Sopra o vento, sopra o vento,
Sopra alto o vento lá fora,
Mas também meu pensamento
Tem um vento que devora.

Há uma íntima intenção
Que tumultua o meu ser
E faz do meu coração
O que um vento quer varrer.

Não sei se há ramos deitados
Abaixo, no temporal,
Se pés do chão levantados
Num sopro onde tudo é igual.

Dos ramos que ali caíram
Sei só que há magoas e dores
Destinadas a não ser
Mais que um desfolhar de flores.

Para a ouvir clicar >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> aqui

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Povo que lavas no rio

Lenita Gentil é uma fadista de grande qualidade, fez recentemente 60 anos, mas tem uma carreira de mais de 40 anos uma longa experiência, mesmo por outros caminhos, que não exclusivamente no fado, "apenas" porque têm uma voz portentosa e neste caso concreto do fado uma extraordinária alma fadista.

Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

Fui ter à mesa redonda
Bebi em malga que me esconde
O beijo de mão em mão.
Era o vinho que me deste
A água pura, puro agreste
Mas a tua vida não.

Aromas de luz e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição.
Povo, povo, eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida não.

Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

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domingo, 9 de novembro de 2008

Senhora da Nazaré

Aqui de novo Tristão da Silva, fabulosa voz. Só isso justifica que eu abra a excepção de editar aqui fado acompanhados por orquestra.

Senhora da Nazaré rogai por mim
Também sou um pescador que anda no mar
Ao largo da vida apruei nas vagas sem fim
Está meu barquito de sonhos quase a naufragar

As minhas redes lancei com confiança
Colhi só desilusões no mar ruím
Perdi o leme da esperança
Eu não sei remar assim
Senhora da Nazaré rogai por mim



quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Roseira botão de gente

Há muito tempo que não ouço cantar o Américo ao vivo, é um valor que precisaria de ser acarinhado, mas Portugal a pátria do fado, não ama a sua gente

Américo Grova
Guitarra Portuguesa: Sérgio Costa
Viola: Carlos Fonsesa
Viola-Baixo: Luís Vieira
Letra: Ary Dos Santos
Música de : Paulo de Carvalho

As condições acústicas não são as melhores, mas os meus agradecimentos ao autor do video

A Força
Que eu tive no momento
Tecendo o teu corpo
A primeira vez
Está agora no teu ventre
Em movimento
No filho que a gente fez


Depois irá pouco a pouco
Ficando maior
Por dentro de ti
E o teu corpo me segreda
Quando toco
Que o meu filho está ali


Eu fui a semente
Tu és o canteiro,
Dum cravo de carne
Que tem o meu cheiro.
Eu fui o arado
Tu és a seara
Seara de trigo sem fim,
Seara lavrada por mim,


O que um homem sente
Quando a companheira
Dá flor no presente
Para a vida inteira.
É como se o sangue
Fosse uma roseira,
Roseira botão de gente,
Rosa da minha roseira


A vida que tece outra vida
É vida parida,
É vida maior,
Tens agora a palpitar,
A minha vida,
No teu ventre meu amor.


Depois vamos os dois
P'rá vida nova'
Será uma flor
Flor de carne
A despontar da primavera,
Do teu ventre meu amor.

Caso não consiga ver o vídeo clicar >>>>>>>>>>>>> aqui


segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Mas porquê de eu ser assim

Trazer de novo aqui um fado cantado pelo Ricardo Ribeiro, é um enorme prazer, deste já hoje grande nome do fado, e de quem todos devemos esperar muito dada a sua estrema juventudo

Este fado tem letra de António Cruz cantado sobre música de fado Maria Rita de Armando Machado


Para ver clicar >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> aqui

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Fado refúgio

Ainda se ouve por ai muita gente referir-se a Helder Moutinho, como o irmão do Camané, é tempo de acabar com essa injustiça, para com um fadista como ele e mais do que isso, um cada vez mais afirmado senhor do fado, um poeta de alta qualidade.

Este refúgio é apenas um exemplo

Agradeço o magnífico grafismo de Vitaskaly, a quem delicadamente roubei este trabalho


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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Lenda da fonte

Existe alguma controvérsia sobre a autoria deste fado, atribuído a Domingos Silva. A voz é de João Pedro, um jovem fadista Vencedor do Bravo Bravíssimo em Itália 1996.

Por onde andará agora este jovem promissor ?

Maria do monte, nascida e criada
Na encruzilhada que fica defronte da fonte sagrada
A lenda é antiga, mas há quem a conte
Que descia o monte uma rapariga
P'ra beber na fonte

E aquela hora por ela marcada de noite ou de dia
O Chico da Nora na encruzilhada esperava a Maria
Seguiam depois, bem juntos os dois, ao longo da estrada
Matar de desejos, a sede com beijos
Na fonte sagrada

Mas um certo dia, como era esperada
Na encruzilhada não veio a Maria à hora marcada
Seus olhos divinos p'ra sempre fechou
Aldeia rezou, tocaram os sinos
E a fonte secou

E aquela hora por ela marcada de noite ou de dia
O Chico da Nora na encruzilhada esperava a Maria
Mas oh santo Deus, escureceram- se os céus, finou- se a beldade
E diz- se no monte que a velhinha fonte
Secou de saudade


Para ouvir clicar >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> aqui

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Fado dos saltimbancos

Volta João Ferreira Rosa cantando um fado já com alguns anos uma letra de Isidoro de Oliveira, com musica do tradicional Fado corrido.

Recordando meus senhores
Os tempos que já lá vão
Ainda há amadores
P’ra manter a tradição

Nada na vida os aterra / São alegres e são francos
E chamam-lhe os saltimbancos / Por andar de terra em terra
Nunca faltam a uma ferra / Em casa de lavradores
Nos retiros cantadores / Lá estão em dia de farra
Cantando ao som da guitarra
Recordando meus senhores

Na Arruda ou em Santarém / Na Chamusca ou no Cartaxo
O grupo não vai abaixo / Há-de ficar sempre bem
Depois de jantar tão bem / Agarram o seu pifão
Mas só com bom carrascão / Se deixam emborrachar
E em tudo fazem lembrar
Os tempos que já lá vão

Uns toureiam a cavalo / Outros a pé vão tourear
E nunca sai por pegar / Um toiro, posso afirmá-lo
Pois o grupo de quem falo / Marialvas cantadores
Toureiros e pegadores / Ao pisar os redondéis
Não levam nem cinco réis
Ainda há amadores

Este lindo festival / Que viram nossos avós
Não morre ainda entre nós / Não morre em Portugal
Porque temos o Vidal / E mais o Chico Leão
O Zé Núncio e o João / O Prestes e o Xavier
E a companhia que houver
P’ra manter a tradição

Letra de fado pedida "emprestada" no blogue Fados do fado

Para ouvir clicar >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> aqui

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Gostei de ti

Volto a Manuel Cardoso de Menezes recomendando vivamente que se leia o post, que sobre ele se publica no blog Lisboa no Guiness,

Este fado tem letra de Guilherme Pereira da Rosa e música de Jorge Costa Pinto.

A nossa vida
Anda escrito no destino
Vai de vencida
Guiada p’lo Deus menino
E se em meu fado
Tu foste o meu desespero
Hoje és passado
Podes crer, já não te quero

Gostei de ti...
Como ninguém há-de amar-te
O que eu sofri...
Só de pensar em deixar-te
Mas se hoje passo junto a ti por qualquer rua
Não há um traço de paixão, por culpa tua

Foste a culpada
Desta indiferença de agora
P’ra mim és nada
Tu que foste tudo outrora

És o passado
Apenas recordação
Lume apagado
As cinzas duma paixão


terça-feira, 19 de agosto de 2008

Noite

Jaime Dias é um veterano do fado, um nome respeitado pela sua vasta experiência e qualidade vocal.

Este fado tem letra de Vasco de Lima Couto e música de Max


Sou da noite um filho noite
Trago rugas nos meus dedos
De contarem os segredos
Nas altas fontes do amor

E canto porque é preciso
Raiar a dor que me impele
E gravar na minha pele
As fontes da minha dor

Noite companheira dos meus gritos
Rio de sonhos aflitos
Das aves que abandonei
Noite céu dos meus casos perdidos
Vêm de longe os sentidos
Nas canções que eu entreguei

Oh minha mãe de arvoredos
Que penteias a saudade
Com que vi a humanidade
A minha voz soluçar

Dei-te um corpo de segredos
Onde risquei minha mágoa
E onde bebi essa água
Que se prendia no ar


Noite companheira dos meus gritos
Rio de sonhos aflitos
Das aves que abandonei
Noite céu dos meus casos perdidos
Vêm de longe os sentidos
Nas canções que eu entreguei



sábado, 9 de agosto de 2008

Olhai a noite

Berta Cardoso foi um dos maiores nomes do fado pelo menos entre as décadas de 30 e de 50.

Neste video pode ouvir a sua interpretação deste fado que tem letra de Torre da Guia e música de Álvaro Martins

Olhai a noite...

Vêde as sombras dessas ruas
Saudades que martirizam que matam
Olhai a noite...
Refúgio das almas nuas
Verdades que muitos nem sequer notam

Não passo bem a noite sem um fado
Não passo bem a noite sem beber
Não passo bem a noite abandonado
Não passo bem a noite sem te ver

Olhai a noite...
Dessas longas madrugadas
Fadistas áprocura dum destino
Olhai a noite...
Ermo imenso desses nadas
Fatalistas vagueando em desatino

Para ver clicar >>>>>>>>>>>>>>>> aqui

domingo, 3 de agosto de 2008

Francisco Sobral

Quando vi este anuncio na TV,



o vendedor de gelados fez-me lembrar deste grande fadista chamado Francisco Sobral.



Nascido em Beja, ouvi-o cantar muitas vezes, tanto no velho "Bacalhau de molho", como mais tarde no "Marquês da Sé", casa de fados da Alexandra, ambas em Alfama.

Grande destaque no seu curto mas excelente papel no musical Amália, fazendo de Alfredo Marceneiro.

O contacto dos seus agentes é o seguinte


C2E Concepção e Com
ercialização de Espectáculos, Lda
Rua dos Álamos, 8 – 1.º Dto. Laranjeiro 2810-145 ALMADA
Tel. 213951784/85 • Tlm. 919454647/939808097/914852585 • Fax. 213951732
www.c2e.pt • c2e.espectaculos@mail.telepac.pt

ou conforme indicação de Paulo Antero-Canadá

contactar Graça Silva, locutora de rádio e produtora de espectáculos, com quem o fadista trabalha: (+351)917 552 396.


Descobri este fado que não conheço o nome nem o autor da letra já que pela música julgo ser o fado de Rio Maior de Franklin Godinho, pela voz magnífica do Xico Sobral, cantando na Petisqueira de Alfama, agradeço ao autor dessa edição



Voltarei brevemente a falar do Xico Sobral

Dois pecadores

Natalino Duarte já faleceu, mas felizmente continuam entre nós os fados, onde ficaram registados a sua voz.
Lisboeta do bairro da Liberdade, acabou a sua carreira como fadista residente do Pátio Alfacinha, ver mais dados sobre ele neste magnífico blogue que dá pelo nome de Lisboa no Guiness

Volta de novo para cantar este fado de Clemente Pereira com música de Jaime Santos

Teus olhos
que me prenderam
mágoas me deram
eterno abrigo
são a voz doo momento
do sofrimento
que anda comigo
de dia andam na rua
nostrando a tua
falsa amizade
e à noite ainda risonhos
embalam sonhos
de falsidade

Não julgues
vendo uma estrela
que a vida é bela
que a vida é sã,
no dia a dia da gente
sempre é diferente
nosso amanhã,
e quando a alma é vencida
por ter na vida
sonhos profanos,
são sempre os olhos fatais
que sentem mais
os desenganos.

Vivem mostrando sediços
que são precisos
pra teu encanto,
mas guarda-os
pra quando alguém
quiser também
ver o teu pranto.
sabes bem
que os meus desejam
que eles sejam
bons sonhadores,
não vivas com esse gosto
se tens no rosto
dois pecadores



terça-feira, 29 de julho de 2008

Procuro e não te encontro

O Fernando Maurício está sempre presente na minha vida de apaixonada pelo fado, porém, este fado tem a particularidade de ser quase uma novidade para mim.

As inúmeras vezes que ouvi o Fernando cantar não me lembro de o ouvir cantar este fado, nem tenho conhecimento que o tenha gravado , será assim amigo Fernando Baptista ?

Este fado tem letra de António José e música de Nobre Sousa

Caso não consiga ver o vídeo no guarda fados clicar >>>>>>>>>>>>> aqui

Procuro e não te encontro
não paro, nem volto atrás
Eu sei, dizem todos que é loucura
Eu andar à tua procura
Sabendo bem onde tu estás!
Procuro e não te encontro
Procuro nem sei o quê!
Só sei, que por vezes ficamos frente a frente
E ao ver-te ali finalmente
Procuro, mas não te encontro!

Preferes o outro e queres
Que eu nunca, vá ter contigo
Por isso, tenho um caminho marcado
E vou procurar-te ao passado
Para lembrar o amor antigo
Procuro e não te encontro,
Procuro, nem sei o quê
Só sei, que por vezes ficamos frente a frente
E ao ver-te ali finalmente
Procuro, mas... não te encontro!


Vamos ao meu Guarda-fados para ouvir basta clicar >>>>>>>>>>>>>> aqui

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O Vento

Manuela Cavaco volta aqui para cantar uma letra de Maria da Graça Ferrão e música de Américo Duarte.

Perdoar-me-á a Manuela Cavaco, se lhe disser como é impressionante neste fado a comparação com a voz e a maneira de cantar de D.Maria Teresa de Noronha, que também interpretava este fado muito bem.

Os artistas não gostam que se diga isto mas, só a alguém grande se pode dizer que é parecido com outro

Caso não consiga ver e ouvir o vídeo clicar >>>>>>>>>>>>>>>> aqui

Se o vento soubesse ler
Leria em meu pensamento
A loucura de te ver
A toda a hora e momento

Dizer-te aquilo que sinto
Não sei se parece mal
Diz que sim, não te desminto
O que sou eu afinal

A brisa quando ao passar
Murmura entre a folhagem
Palavras para te adorar
Carinhos à tua imagem

Ouve esta frase sentida
Sem amor não há viver
Amar é próprio da vida
Ai se o vento soubesse ler


domingo, 6 de julho de 2008

Avé Maria fadista



Gostos não se discutem, mas duvido que alguém verdadeiramente amante do fado, possa dizer que não gosta de ouvir Margarida Bessa. Este fado é muito antigo a letra é de Gabriel de Oliveira a música do Fado Vianinha de Francisco Viana.

Margarida Bessa é alentejana e foi professora de francês e português, antes de se dedicar por inteiro à sua carreira fadista .

Este fado está incluído num trabalho editado em
1997, com o seu nome


Avé Maria sagrada

Cheia de graça divina

Oração tão pequenina
De uma beleza elevada.

Nosso Senhor é convosco,

Bendita sois vós, Maria.

Nasceu vosso Filho, um dia,
Num palheiro humilde e tosco.

Entre as mulheres bendita,
Bendito é o fruto, a luz,
Do vosso ventre, Jesus,

Amor e graça infinita.


Santa Maria das dores,
Mãe de Deus, se for pecado,
Tocar e cantar o fado,

Rogai por nós pecadores.

Nenhum fadista tem sorte,
Rogai por nós Virgem Mãe.

Agora, sempre e também

Na hora da nossa morte.



sexta-feira, 4 de julho de 2008

Minha luz

D.Maria Tereza de Noronha, volta ao nosso bocas lindas, cantando este fado com letra de José Mariano, sobre música do fado tradicional de Alberto Simões Costa o Fado 2 tons.

Acrescento as minha dúvidas sobre a autoria que acabo de referir, por deficiência de informação, resultante da falta de cuidado que as editoras têm quando apresentam os seus trabalhos. Agradeço as respectivas correcções nomeadamente no que á música diz respeito que é onde tenho as maiores dúvidas


A saudade é com a luz
que o sol já morto deixou
é presença embora cruz
na alma de quem ficou

Se o apagar dum chama
uma agonia traduz
no coração de quem ama
a saudade é como a luz

Saudade de alguém ausente
ou que esqueceu ou mudou
é como a luz do poente
que o sol já morto deixou

É no céu ainda cor
é o milgare da luz
é no peito ainda amor
a presença embora cruz


Poente é como o que finda
adeus é sol que baixou
mas saudade é luz ainda
na alma de quem ficou



quarta-feira, 25 de junho de 2008

Loucos

Gosto muito de ouvir cantar a Maria Inês, é uma fadista já com alguma experiência, cantando actualmente na casa de fados mais antiga de Lisboa a Adega Mesquita

Lisboa
Rua do Diário de Notícias, 107
Tel. 213 219 280
Fax. 213 467 131

A fadista do Poço do Borratém canta aqui este fado que tem letra de Mário Raínho e José Luis Gordo e música de José Fonte Rocha


Vivem de amor, deixa-os viver assim,
Que nos importa o amor dos outros,
Tudo que tem princípio há-de ter fim,
Deixa-os seguir em paz porque são loucos

São loucos, como nós ainda somos
E amam, como nós também amámos
São jovens, como nós também já fomos,
Namoram, como nós já namoramos.

Trazem na boca, em cada beijo um grito
Grito de amor, que o seu amor ilude
Amor e uma cabana é tão bonito,
Quando se tem nas mãos, a juventude,

Momentos de prazer, na vida há poucos,
Breves, como o cantar da cotovia,
Deixa-os amar em paz, porque são loucos
São loucos como nós fomos um dia.



sábado, 21 de junho de 2008

Fado Lisboeta

Raquel Tavares nasceu em Lisboa, no dia 11 de Janeiro de 1985 , ganhou a Grande Noite do Fado em 1997, basta fazer contas tinha 12 anos, hoje com 23 já gravou discos, já cantou nos recantos do fado mais famosos e o seu talento vão conduzi-la a uma carreira ímpar.

O seu manager é Heler Moutinho e o seu contacto, para espectáculos é

HM MÚSICA
Rua Dr. José Joaquim de Almeida, n.º 11 C 2780-332 OEIRAS
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Não queiram mal a quem canta,

quando uma garganta se enche e desgarra

que a magoa já não é tanta

se a confessar à guitarra

quem canta sempre se ausenta

da hora cinzenta da sua amargura

Não sente a cruz tão pesada

na longa estrada da desventura



Eu só entendo o fado,

plangente amargurada à noite a soluçar baixinho

que chega ao coração num tom magoado

tão frio como as neves do caminho

que chore uma saudade ou cante ansiedade

de quem tem por amor chorado

dirão que isto é fatal, é natural

mas é lisboeta,

e isto é que é o fado.



Oiço guitarras vibrando e vozes cantando na rua sombria

as luzes vão se apagando a anunciar que é já dia

fecho em silêncio a janela, já se ouve na viela

rumores de ternura.

surge a manhã fresca e calma,

só em minha alma é noite escura



eu só entendo o fado

plangente amargurada à noite a soluçar baixinho,

que chega ao coração num tom magoado,

tão frio como as neves do caminho

que chore uma saudade ou cante a ansiedade

de quem tem por amor chorado

dirão que isto é fatal, é natural

mas é lisboeta,

e isto é que é o fado








quarta-feira, 18 de junho de 2008

Gaivota

Cristina Branco , uma voz indiscutível na nova geração de fadistas, canta este fado clássico, ao que parece em sua casa, eventualmente num ensaio.

A Gaivota tem letra de Alexandre O Neil e música de Alain Oulman.

Este fado neste ambiente caseiro, fica saboroso cantado ao seu estilo pelo tom intimo e simples

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.


Para ouvir Cristina Branco clicar >>>>>>>>>>> aqui

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quarta-feira, 11 de junho de 2008

A Lenda das Rosas

Volto com Hermano da Câmara, num fado com letra de Linhares Barbosa e música de António de Bragança.

Não sei porque razão Hermano da Câmara na cantou as estrofes, que aqui destaco na letra a preto, mas optei por publicar completa, conforme ouço cantar a outros fadistas.

Na mesma campa nasceram
Duas roseiras a par,
Conforme o vento as movia
Iam-se as rosas beijar

Deu uma rosas vermelhas,
Desse vermelho que os sábios
Dizem ser da cor dos lábios,
Onde o amor põe centelhas

Da outra, gentis parelhas
De rosas brancas vieram,
Só nisso diferentes eram,
Nada mais as diferenciou

A mesma seiva as criou
Na mesma campa nasceram

Dizem contos magoados
Que aquele triste coval
Fora leito nupcial
De dois jovens namorados,

Que, no amor contrariados,
Ali se foram finar,
E continuaram a amar
Lá no além todavia

E por isso ali havia
Duas roseiras a par

A lenda, simples, singela,
Conta mais, que as rosas brancas
Eram as mãos puras, francas,
Da desditosa donzela

E ao querer beijar as mãos dela,
Como na vida fazia,
A boca dele se abria
Em rosas de rubra cor

E celebravam o amor
Conforme o vento as movia

Quando as crianças passavam
Junto aquela sepultura
Toda a gente afirma e jura
as rosas brancas coravam

E as vermelhas se fechavam
Para ninguém lhes tocar
Mas que alta noite, ao luar
Entre um séquito de goivos,

Tal qual os lábios dos noivos
Iam-se as rosas beijar. "




sábado, 7 de junho de 2008

Rosa Caída

Não tenho informação precisa acerca da autoria desta letra aqui cantada por Maria da Nazaré, com música do Fado Tango da autoria de Joaquim Campos

Maria da Nazaré nasceu no Barreiro, então uma das zonas industrias de maior projecção em Portugal. Cedo partiu para Lisboa, onde se radicou no Bairro de Campo de Ourique. E aí começou a cantar, ao despertar para a adolescência. Primeiro em serões de amigos, e logo depois integrada nas sessões para trabalhadores organizadas pela antiga FNAT (hoje INATEL). Nesta mesma altura, pelos finais dos anos sessenta, venceu por duas vezes a Grande Noite do Fado, então patrocinada pela Casa da Imprensa.

A sua vida artística tem-na levado a percorrer vários pontos do globo, Brasil, Angola, Moçambique, Grande Bretanha, Bélgica, Finlândia, Suécia, Dinamarca, Espanha, onde a todos eles levava um pouco desta música que percorre as ruas Lisboa.

Tem cantando nas mais prestigiadas casas de espectáculo da região de Lisboa, tal como no Casino Estoril, no Arreda, na Taverna do Embuçado, Lisboa à Noite, SR. Vinho, e no Clube do Fado. É convidada com frequência para cantar em festas particulares, congressos e hotéis, e em programas de televisão.

Para aceder ao site da fadista clicar no nome


JÁ NÃO ÉS A MINHA VIDA
DE TI NÃO TENHO CIÚME
OLHA QUE A ROSA CAIDA
MESMO DEPOIS DA COLHIDA
CONTINUA A TER PERFUME

JULGANDO QUE ME TORTURAS
PASSAS COM OUTRA A TEU LADO
EU NÃO CAMINHO ÁS ESCURAS
TENHO A LUZ DAS AMARGURAS
A ILUMINAR O MEU PASSADO

JÁ FUI A ROSA ESQUECIDA
QUE ESPERAVA A PRIMAVERA
AGORA TENHO OUTRA VIDA
JÁ NÃO SOU ROSA CAIDA
VOLTEI A SER O QUE ERA



segunda-feira, 2 de junho de 2008

Aquela igreja

António Severino o grande fadista de Setúbal, canta uma letra de Marques Vidal com música do Fado Alberto de Miguel Ramos.


Recordo aquele dia em que disseste
Vou à igreja pra falar com Deus
Quis-te fazer surpresa não soubeste
Mas segui nesse dia os passos teus

Porém quendo chegaste à capela
Entraste no portal que havia em frente
Segui pla escada e ouvi nela
O som de porta aberta de repente

Subi ,fechou-se a porta que se abrira,
Encostei meu ouvido à fechadura,
E percebi que tu eras mentira,
Que o meu amor por ti era loucura,

Palavras de carinho e de prazer
De ti da tua voz se despredeu
Tu tinhas ido ali para vender ,
O corpo que eu pensava que era meu,

Desci a escadaria quem rasteja
Com lágrimas de dor nos olhos meus,
E afinal quem foi à tal Igreja
Fui eu apenas eu falar com Deus