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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Boa noite solidão

Tento não divulgar aqui o que habitualmente circula abundantemente pela net, eis a razão porque não tenho nada da Amália (por exemplo) porque quem a quer ouvir tem tudo por aí publicado. Hoje abro uma excepção por um dos fados mais ouvidos e que constatei agora que ando em arrumações , não ter aqui publicado . Claro que a autoria é do Jorge Fernando e normalmente (quase sempre) são sextilhas cantadas nas do Carlos da Maia. Aproveito esta ocasião de ter encontrado este fado cantado em fado cravo do Alfredo Marceneiro ( é para mim como já tenho dito juntamente com o fado Santa Luzia os meus favoritos), pela Maria da Nazaré , gosto mais desta opção

Boa-noite solidão,
Vi entrar pela janela,
O teu corpo de negrura,
Quero dar-me à tua mão,
Como a chama duma vela,
Dá a mão à noite escura.

Só tu sabes, solidão,
A angústia que traz a dor,  
Quando o amor a gente nega,

Como quem perde a razão,
Afogamos nosso amor, 
No orgulho que nos cega.

Os teus dedos, solidão,
Despenteiam a saudade,

Que ficou no lugar dela,
Espalhas saudades p'lo chão,
E contra a minha vontade, 

Lembras-me a vida com ela.

Com o coração na mão,
Vou pedir-te, sem fingir, 

Que não me fales mais dela,
Boa-noite solidão,
Agora quero dormir, 

Porque vou sonhar com ela.






terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Maria da Cruz

Trago aqui um clássico que a Amália cantou e que Maria da Nazaré interpreta brilhantemente como sempre, esta letra de Amadeu do Vale para música de Frederico Valério chamado Maria da Cruz

Chamava-se ela Maria,
De sobrenome da Cruz,
E na aldeia onde vivia,sorria
Vivia, na paz de Jesus
Tinha um amor, a quem ela
Seu coração entregara
Junto ao altar da capela
Singela, onde ela
Paixão lhe jurara

Mas certo dia,
Veio a saber-se na aldeia
Que o seu pastor lhe mentia,
Que esse amor se lha extinguia
Como a luz de uma candeia
Desiludida, do seu amor, a Maria
Deixou o lar e, perdida,
vem cair desfalecida
Num portal da Mouraria

Sofreu a dor d amargura,
Perdeu o viço e a cor.
E não voltou à ventura,
À doçura, à ternura,
Do amor do pastor
E hoje por cruz, a Maria,
Que é da Cruz, por seu fadário,
Arrasta na Mouraria
A cruz da agonia,
A cruz do Calvário

Ainda canta
Uma canção quase morta,
Mas o estretor na garganta,
Oiço já, quando ela canta,
Ao passar à sua porta
Não tarda o dia
Em que ela, enfim, já vencida,
Terminará a agonia
De arrastar na Mouraria
Toda a cruz da sua vida


sábado, 21 de novembro de 2009

Saudades de Júlia Mendes

Saudades de Júlia Mendes foi um fado criado para a revista Ena já fala pelos seus autores
César d'Oliveira / Rogério Bracinha / Paulo Fonseca / João Nobre, para a voz de Fernanda Baptista.

Aqui trago este fado na voz da Maria da Nazaré, que o incluí desde há muito no seu repertório.

Acrescento que Julia Mendes foi uma fadista que faleceu em 1911, muito nova apenas com 26 anos, mas já uma grande estrela, com muitos existos em revistas. ela que desde miúda cantava pelas ruas, enquanto sua mãe edia esmola.


Ó Júlia, trocas a noite p'lo fado
O fado, esse malandro e vadio
Ó Júlia, olha que é tarde, toma cuidado
Leva o teu xaile traçado porque de noite faz frio

Ó Júlia, andas com a noite na alma
Tem calma, ainda te perdes p'ra aí
Ó Júlia,se estás de novo vencida
Não queiras gostar da vida que ela não gosta de ti

Não fales coração, tu és um tonto sem razão,
Viver só por se querer não chega a nada
Aceita a decisão que os fados trazem ao nascer
Todos nós temos de viver de hora marcada

Se Deus me deu a voz,
que hei-de eu fazer senão cantar
O fado e eu a sós queremos chorar
Eu fujo não sei bem
talvez do mundo ou de ninguém
Talvez de mim,
quando oiço alguém dizer-me assim






sábado, 7 de junho de 2008

Rosa Caída

Não tenho informação precisa acerca da autoria desta letra aqui cantada por Maria da Nazaré, com música do Fado Tango da autoria de Joaquim Campos

Maria da Nazaré nasceu no Barreiro, então uma das zonas industrias de maior projecção em Portugal. Cedo partiu para Lisboa, onde se radicou no Bairro de Campo de Ourique. E aí começou a cantar, ao despertar para a adolescência. Primeiro em serões de amigos, e logo depois integrada nas sessões para trabalhadores organizadas pela antiga FNAT (hoje INATEL). Nesta mesma altura, pelos finais dos anos sessenta, venceu por duas vezes a Grande Noite do Fado, então patrocinada pela Casa da Imprensa.

A sua vida artística tem-na levado a percorrer vários pontos do globo, Brasil, Angola, Moçambique, Grande Bretanha, Bélgica, Finlândia, Suécia, Dinamarca, Espanha, onde a todos eles levava um pouco desta música que percorre as ruas Lisboa.

Tem cantando nas mais prestigiadas casas de espectáculo da região de Lisboa, tal como no Casino Estoril, no Arreda, na Taverna do Embuçado, Lisboa à Noite, SR. Vinho, e no Clube do Fado. É convidada com frequência para cantar em festas particulares, congressos e hotéis, e em programas de televisão.

Para aceder ao site da fadista clicar no nome


JÁ NÃO ÉS A MINHA VIDA
DE TI NÃO TENHO CIÚME
OLHA QUE A ROSA CAIDA
MESMO DEPOIS DA COLHIDA
CONTINUA A TER PERFUME

JULGANDO QUE ME TORTURAS
PASSAS COM OUTRA A TEU LADO
EU NÃO CAMINHO ÁS ESCURAS
TENHO A LUZ DAS AMARGURAS
A ILUMINAR O MEU PASSADO

JÁ FUI A ROSA ESQUECIDA
QUE ESPERAVA A PRIMAVERA
AGORA TENHO OUTRA VIDA
JÁ NÃO SOU ROSA CAIDA
VOLTEI A SER O QUE ERA



terça-feira, 14 de agosto de 2007

Tu não me digas

Na voz duma grande fadista Maria da Nazaré que canta este fado letra e música de Santos Moreira, do Fado moreninha


Tenho a certeza
que já não gostas de mim
nem com certeza
sofria o que já sofri

Podes passar
agora pela minha porta
podes parar
que a minha crença
está morta


Pode dizer
que já não sentes ciume
que já se apagou o lume
que aquecia o nosso amor
Podes dizer
que já não gostas de mim
que o teu amor teve um fim
e que até me tens rancor


Triste ilusão
que um dia lá partiste
por compaixão
nem sequer te despediste

Hás de pagar
o desgosto
que me deste
hás de pagar
todo o mal que me fizeste

Tu não me digas
que já não sentes ciumes
que já se apagou o lume
que aquecia o nosso amor
Tu não me digas
que já não gostas de mim
que o teu amor teve um fim
e que até me tens rancor

Caso não consiga ver o clip clicar >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> AQUI