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terça-feira, 1 de março de 2011

Um fadista já cansado



Helder Moutinho cantando a faixa de abertura do seu CD Sete Fados E Alguns Canto








Um fadista já cansado

Quando o passado lembrou
Abraçou uma guitarra
Não pôde cantar, chorou

Entrou, sentou-se e bebeu
Um copo de vinho tinto
Enquanto que no recinto
Uma guitarra gemeu

Tantas cantigas sei eu

Tudo se ouviu menos fado
E o cantador desolado
Acabou por me dizer
Só tenho pena de ser
Um fadista já cansado



Criei nome, dei nas vistas
Conquistei fama ovações

Mas não a cantar canções

De envergonhar os fadistas
Ganhei fama nas conquistas

Da boémia, que passou

Sei quem fui, sei que não sou

Um cantador presumido

Disse-me ele entristecido

Quando o passado lembrou

E prosseguiu, quando entrei

Entrei com mil ansiedades
mas se vim matar saudades

Com mais saudades fiquei
Envelheci, mas é lei

Da fadistagem bizarra

Ter fé, ter alma, ter garra

P'ra cantar até á morte,
E falando desta sorte
Abraçou uma guitarra


E cingiu com mão amiga
Ao lado esquerdo do peito

Aquele instrumento eleito
Da fadistagem antiga
Quis cantar uma cantiga

Que outrora o celebrizou

Mas a emoção embargou

Toda a sua voz amena
,
E o pobre cheio de pena
Não pôde cantar, chorou