
Helder Moutinho cantando a faixa de abertura do seu CD Sete Fados E Alguns Canto
Um fadista já cansado
Quando o passado lembrou
Abraçou uma guitarra
Não pôde cantar, chorou
Entrou, sentou-se e bebeu
Um copo de vinho tinto
Enquanto que no recinto
Uma guitarra gemeu
Tantas cantigas sei eu
Tudo se ouviu menos fado
E o cantador desolado
Acabou por me dizer
Só tenho pena de ser
Um fadista já cansado
Criei nome, dei nas vistas
Conquistei fama ovações
Mas não a cantar canções
De envergonhar os fadistas
Ganhei fama nas conquistas
Da boémia, que passou
Sei quem fui, sei que não sou
Um cantador presumido
Disse-me ele entristecido
Quando o passado lembrou
E prosseguiu, quando entrei
Entrei com mil ansiedades
mas se vim matar saudades
Com mais saudades fiquei
Envelheci, mas é lei
Da fadistagem bizarra
Ter fé, ter alma, ter garra
P'ra cantar até á morte,
E falando desta sorte
Abraçou uma guitarra
E cingiu com mão amiga
Ao lado esquerdo do peito
Aquele instrumento eleito
Da fadistagem antiga
Quis cantar uma cantiga
Que outrora o celebrizou
Mas a emoção embargou
Toda a sua voz amena,
E o pobre cheio de pena
Não pôde cantar, chorou