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terça-feira, 21 de janeiro de 2025

*O amargo gosto da saudade

Como é amargo o gosto da saudade, 
Dessa vida feliz, por ti esquecida
Uma unica memória, uma verdade, 
Deixando a minh alma, comovida 

Como é triste a saudade do teu beijo, 
Desse amor impossível, desejado, 
Que sua memória ainda revejo, 
E me deixou perdido e abandonado. 

Como é triste e amarga a tua ausência, 
Sabe-me a dor cruel dentro do peito, 
Que invade o meu ser com insistência, 
Deixando o coração, quase desfeito. 

Como um espinho cravado, em minha vida. 
uma dor bem cruel, feita verdade 
fiquei assim sabendo, em despedida 
Como é amargo o gosto da saudade, 



 Amadeu Ramin-Fado Zeca

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Grande amor

Hélder Moutinho um dos irmãos Moutinho, uma família de homens do fado, acumula com poemas de grande qualidade, que já aqui trouxe, relembrando um que gosto particularmente A balada do sol errada. Desta vez é Ricardo Ribeiro que aqui canta Grande amor para o fado zeca de Amadeu Ramin

De Ricardo Ribeiro, pouco posso acrescentar, é só um dos maiores interpretes do nosso fado e com o seu grande mestre Fernando Maurício, aprendeu e tenho a certeza vai guardar em toda a sua vida a enorme modéstia de se considerar sempre a aprender e a amar o seu público e nunca perder de vista a dicção e a respeitar a pontuação de cada poema, para que apareça "limpo e claro" aos ouvidos de quem o ouve.

Hoje domina por completo a sua potente voz, sabendo que cantar o fado não é gritar, o melhor fadista não é o que rebenta os tímpanos de quem o ouve, mas aquele que sabe tocar na nossa alma e para isso acontecer têm que empenhar a sua

Vem ver o sol nascer, no meu olhar,
Com raios de ilusão, no meu presente,
E deixa o teu passado, naufragar,
No mar do meu futuro, eternamente

Apaga do meu triste, pensamento
As minhas noites frias, sem te ver
E traz-me a primavera, em vez do vento
Que vou voltar á vida, p'ra viver

Há quanto tempo fomos, tão amantes
P'ra inundar o sonho, destruído
Vivemos nossas vidas, tão distantes
Que o nosso amor viveu, quase perdido

Mas já não há mais tempo, p'ra chorar
E ambos somos livres, novamente
É hora de voltarmos, a cantar
O nosso grande amor, a toda a gente



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Só mais um fado

Não me engano se afirmar que não há fadista no activo, que não cante pelo menos um fado de Jorge Fernando e isto diz tudo dobre a sua qualidade com poeta do fado. Acrescentando a esse dom, que já não era pequeno, junte-se lhe esta voz maravilhosa, este frasear claro e sem repelões desnecessários, nem exibicionismos estilosos e temos Jorge Fernando.

Normalmente também compõe música para as suas letras mas desta vez meteu o seu poema em cima da música do fado Zeca de Amadeu Ramim.

Este fado está incluso no seu último trabalho de 2009 que chamou de Vidas, onde canta esse tema que deu nome ao álbum por duas vezes em dueto com a grande Amália , mas também com a fabulosa miúda Fábia Rebordão, que ele ouviu, tal como eu dar os primeiros passos como fadista, nos Ferreiras em Lisboa.

Um abraço Jorge e venha mais disto, o Fado espera-o sempre

O frio da noite andou pla minha mão
num rodopio de estrela e luar
doeu-me mais o frio da solidão
que a mão teimosamente a querer gelar.

Em mim, coube-me apenas por memória,
as dádivas do amor que me trouxeste,
sou livro que suspenso ao fim da história,
espera o final, que ainda não escreveste.

Quedei-me algures cansado dos meus passos,
de tentar perseguir o pensamento,
os laços entre nós ficaram lassos
frouxos como o meu próprio lamento.

Dá-me pois a ilusão duma só hora
dum final suspenso e adiado
para se acalmar o frio que me devora,
preciso de te ouvir só mais um fado.