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sábado, 27 de setembro de 2025

Fado refúgio

Ainda se ouve por ai muita gente referir-se a Helder Moutinho, como o irmão do Camané, é tempo de acabar com essa injustiça, para com um fadista como ele e mais do que isso, um cada vez mais afirmado senhor do fado, um poeta de alta qualidade, como se nota neste fado

Este refúgio é apenas um exemplo

Agradeço o magnífico grafismo de Vitaskaly, a quem delicadamente roubei este trabalho

Se o fado é canto da alma
Refúgio da noite calma
Engano do sofrimento
Eu trago na voz, a vida
Que me tem sido oferecida
Eu trago na voz, o vento

Se um amor que se perdeu
Que se afastou ou esqueceu 
Deixou de ser meu lamento
Eu trago na voz, a vida
De uma breve despedida 
Eu trago na voz, o vento

São meus sonhos, a saudade
Minha vida, uma verdade 
E meu canto, uma oração
Eu trago na voz, o vento
Para afastar o lamento 
Que trago no coração

terça-feira, 1 de março de 2011

Um fadista já cansado



Helder Moutinho cantando a faixa de abertura do seu CD Sete Fados E Alguns Canto








Um fadista já cansado

Quando o passado lembrou
Abraçou uma guitarra
Não pôde cantar, chorou

Entrou, sentou-se e bebeu
Um copo de vinho tinto
Enquanto que no recinto
Uma guitarra gemeu

Tantas cantigas sei eu

Tudo se ouviu menos fado
E o cantador desolado
Acabou por me dizer
Só tenho pena de ser
Um fadista já cansado



Criei nome, dei nas vistas
Conquistei fama ovações

Mas não a cantar canções

De envergonhar os fadistas
Ganhei fama nas conquistas

Da boémia, que passou

Sei quem fui, sei que não sou

Um cantador presumido

Disse-me ele entristecido

Quando o passado lembrou

E prosseguiu, quando entrei

Entrei com mil ansiedades
mas se vim matar saudades

Com mais saudades fiquei
Envelheci, mas é lei

Da fadistagem bizarra

Ter fé, ter alma, ter garra

P'ra cantar até á morte,
E falando desta sorte
Abraçou uma guitarra


E cingiu com mão amiga
Ao lado esquerdo do peito

Aquele instrumento eleito
Da fadistagem antiga
Quis cantar uma cantiga

Que outrora o celebrizou

Mas a emoção embargou

Toda a sua voz amena
,
E o pobre cheio de pena
Não pôde cantar, chorou