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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Resta-me a esperança

ANTÓNIO ROCHA é não só um reconhecido talentoso fadista, estilista notável, como um poeta de mérito. Começou a cantar aos 8 anos, e aos 13 conquistou o 1º lugar do concurso do jornal Ecos de Portugal (1951).

Assim começa o notável blogue de musica de jjsilva, onde para além de poder saber mais de António Rocha, se podem ouvir mais uns quantos fados deste grande senhor do fado

Mais um fado cantado sobre a música da marcha de Alfredo Marceneiro

Mais um dia sem te ver,
menos um dia de vida,
sem te ouvir sem te falar,
porque vieste acender,
esta chama adormecida,
que eu não queria despertar.

Quanto mais foges de mim
tanto mais perto te sinto,
menos consigo esquecer-te
mas se apareces por fim,
vejo-me num labirinto
onde receio perder-te

O amor que em mim despertaste,
é rio que corria manso,
e hoje transborda do leito,
falei-te não me escutaste
estendo os braços não te alcanço.
aumenta a angustia em meu peito

Angustia que não se cansa,
desde dia em que te vi
que me prendeu em teus laços
resta-me apenas a esperança
que não fujas mais de ti
e te entregues em meus braços


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Voltei ao cais

O rei Maurício volta aqui com um clássico, que ele muitas vezes cantava, Uma letra de António Rocha para o Fado Porto de António Barbeirinho.

Voltei ao cais da partida,
Voltei, sim porque sonhei,
Que voltavas nesse dia
E que trazias a vida,
Que há tempo, ao cais te levei,
Ficando de alma vazia

Meu olhar iluminou-se,
Quando te vi acenando,
Corri para te abraçar
Mas, o sonho dissipou-se
E acordei, mesmo quando,
Ia teus lábios beijar

Vi fugir o doce enleio,
Que envolveu teu regressar
É triste a realidade
Tu não vens e eu receio,
Que me possa habituar,
A viver com a saudade





Entretanto descobri um novo síto de fado muito interessante recomendando uma visita ao Tertúlia do fado.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sombra fugidia

Pronto para corrigir um lapso, pelo facto de não ter neste blog um fado menor cantado por António Rocha.

Embora não goste de adjectivar artistas, para muitos António Rocha, é o rei do fado menor, eu concordo é magistral e por certo um dos maiores

Esta letra é de sua autoria

Vem ó sombra fugidia
folha verde em meu Outono
gota cristalina e fria
nesta sede de abandono

Vem ó sombra fugidia
folha verde em meu Outono

Verde esperança sem sentido
onda revolta de mar
onde navego perdido
em busca do teu olhar

Verde esperança sem sentido
sentido de te alcançar

Vem enquanto a lua espreita
dorme o Sol em meu passado
E a saudade se deita
no meu leito abandonado

vem enquanto a lua espreita
o teu corpo imaginado

Trás uma nova alvorada
ao escurecer da minha idade
que já se sente cansada
de esperar tua verdade

Trás uma nova alvorada
pra matar essa saudade



quarta-feira, 26 de maio de 2010

Adolescência perdida


Mais um fado na voz do Fernando Jorge e outra letra de António Rocha para o fado Carriche de Raúl Ferrão

Poema da minha vida
Sem velhice nem infância
Adolescência perdida
No mar da minha inconstância

Poema da minha vida
Fogo que perdeu a chama
Caminhada resumida
A sulcos feitos na lama

Sem velhice nem infância
Vão as verdades morrer
No limite da distância
Que há entre mim e o meu ser

Adolescência perdida
Em busca de mundo novo
E da razão construída
Com gritos vindos do povo

No mar da minha inconstância
Naufraga a causa perdida
A que tu dás importância
Poema da minha vida

Levas nas mãos amarradas
Vontades amordaçadas



domingo, 24 de janeiro de 2010

Nada me dás

Eu gosto muito de ouvir cantar o Fernando Jorge, mas também gosto do vastíssimo repertório dele, do qual consta duma forma geral. muitos dos meus fados favoritos

Este tem letra do grande António Rocha cantado sobre um tema de Marceneiro o fado bailado

Dá me o calor do teu peito
aquece minha alma fria
encosta-te a mim com jeito
dá-me um pouco de alegria
Dá-me o calor do teu peito

Dá-me a luz do teu sorriso
tal como outrora fizeste
vem porque eu de ti preciso,
cumpre com o que prometeste
Dá-me a luz do teu sorriso

Da-me um só beijo mulher
peço-te pouco bem vês
acaba com o meu sofrer
ainda que mais me não dês
Dá-me um só beijo mulher

Nada me dás vai-te embora
foge do meu pensamento,
porque há-de chegar a hora
do teu arrependimento
Nada me dás vai-te embora



sábado, 16 de janeiro de 2010

Chegou o fim

Pedro Galveias é mais um nome que aqui trago, vencedor da Grande Noite do Fado de Lisboa em 1995 no mesmo ano em que Ana Maurício ganhou em femininos. Ela "alinhando" pelo Mouraria ele pelo Clube Futebol Varejense (o meu querido Varejense).


Letra de António Rocha música de Júlio Proença-Fado Proença

Não volto mais, podes crer,
ao cais onde um dia fui,
para me despedir de ti.
Já me cansei de sofrer
és dor que já não me dói,
és passado que esqueci

Quando partiste deixaste,
uma promessa a meu lado,
que dizia que voltavas,
e nem sequer reparaste,
que também tinhas deixado
saudades que não levavas.

Fui dizer-te adeus ao cais
depois sonhei que voltavas,
voltei ao cais da partida,
ma tu não voltaste mais,
e assim cada vez ficavas,
mais longe da minha vida.

E vi por ti a verdade
hoje no meu coração,
já não mora o desespero.
vivi tanto com a saudade,
que lhe ganhei afeição,
e agora já não te quero.


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Procura vâ

Mais uma letra de António Rocha, interpretada pelo próprio sobre música de Armando Machado no fado súplica


Andei à tua procura
na rua do esquecimento
procurei mas não te vi,
nessa noite fria e escura
ouvi apenas o vento
que veio falar-me de ti

Não sei se o vento mentiu
ou me disse com verdade
coisas que nem adivinhas
pois contou-me que te viu,
na travessa da saudade
e tinhas saudades minhas

Fui lá mas não vi ninguém,
apenas a voz do vento
me deixou triste e surpreso
porque te viu com alguém
nesse preciso momento
junto ao beco do desprezo

Cansado de procurar-te
ruas e ruas em vão
e tu sem nunca apareceres
resolvi então esperar-te
no largo da solidão
podes vir quando quiseres



quinta-feira, 26 de março de 2009

A luz do teu caminho

Ouvi dizer que a Ovação vai reeditar para CD, êxitos deste grande fadista, sobretudo algumas das desgarradas que cantou com Fernando Maurício e que foram na altura registadas em vinil.

Outros fados como este penso que serão também editados, homenageando assim este grande fadista prematuramente desaparecido.

A letra deste fado é de António Rocha a música de Miguel Ramos no fado Margaridas

Deixa-me ser a luz do teu caminho
deixa-me ser um pouco do teu ser,
deixa que eu seja o guia do destino,
que destina a razão do teu viver.

Eu queria ser a brisa morna e leve,
que agita o teu cabelo com meiguice,
poder estar um momento ainda que breve
junto de ti sem que outro alguém me visse.

Se eu conseguisse ser teu pensamento,
quando fitas serena o azul do céu,
jamais escutarias o lamento,
deste paixão por ti que Deus me deu.

Eu queria ser o sol que de mansinho,
vem beijar o teu rosto com prazer,
deixa-me ser a luz do teu caminho,
deixa-me ser um pouco do teu ser.