Sou de vidro à tua espera,
moldado em tua ausência,
és pra mim uma quimera,
do meu viver, em carência
Só me ficou o encanto,
Em dia de vidro feito,
largo a voz no meu canto,
batendo forte no peito
Tua ausência é um estalo,
permanente em meu sofrer,
sou vidro, se não te falo
que parte, por não te ter
Sou silêncio que se parte,
eco frágil da paixão,
sou de vidro feito em arte,
mas sem ti, sou solidão.
Se não vens, sou transparência,
sem reflexo ou direção,
um amor em decadência,
feito vidro em solidão
Joaquim Campos-Fado amora