O inimitável Tristão da Silva volta aqui com mais um dos seus fados inesquecíveis
Aqui canta uma letra de autor desconhecido para a música do fado puxavante que grande polémica tem sobre a sua autoria
Quando o lobo desce a serra
na fome que a neve traz
não há nada que resista
à sua fome voraz
Falar-se de honestidade,
é bom para quem muito tem,
mas da serra da verdade
todos são lobos também
É lobo aquele que na gloria
quer um trono requintado
foi lobo aquele que na história
teve um lugar demarcado
Quando a a fome bate à porta,
do honrado cidadão,
não é homem mas é lobo,
se não é lobo é ladrão
Nesta alcateia de lobos,
a que chamam sociedade,
não há lugar para todos,
nem para os que falam verdade.
Este blogue é o local onde guardo os meus poemas para serem cantados e também uma homenagem a todos os que amam o FADO.
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segunda-feira, 7 de novembro de 2011
domingo, 10 de janeiro de 2010
Sinal da cruz
Manuel Martins Tristão da Silva era um alfacinha de gema, que nasceu na Penha de França, em 17 de Julho de 1927.Faleceu num acidente de viação ocorrido em Lisboa em 1978.
Letra de Linhares Barbosa e música de Ferrer Trindade
Na pequena capelinha
da aldeia velha e branquinha
Dei à Maria da Luz
uma cruz de pôr ao peito
E um juramento foi feito
pelos dois, sobre essa cruz
Juro ser tua
disse-me ela
Eu disse
uro ser teu
Pelos vitrais da capela
Entrava a benção do céu
Passavam-se os meses.
e o tempo corria
E todas as vezes
que eu via a Maria
sozinha e menina
Dizia-lhe assim
Maria da Luz
Tu és para mim
o sinal da cruz
da cruz pequenina
Mas um dia, há sempre um dia
que nos rouba a fantasia
Maria entrou na capela,
esquiva, pé ante pé
Mas o meu símbolo de fé
não brilhava ao peito dela
Quis perguntar-lhe pela jura
Porém, de fé já perdida
Vi que não vinha segura
Tinha outra cruz na vida
Passavam-se os meses
o tempo corria
E todas as vezes
que eu via a Maria
com más companhias
Dizia-lhe assim:
Maria da luz
Tu és para mim,
o sinal da cruz,
da cruz dos meus dias
Letra de Linhares Barbosa e música de Ferrer Trindade
Na pequena capelinha
da aldeia velha e branquinha
Dei à Maria da Luz
uma cruz de pôr ao peito
E um juramento foi feito
pelos dois, sobre essa cruz
Juro ser tua
disse-me ela
Eu disse
uro ser teu
Pelos vitrais da capela
Entrava a benção do céu
Passavam-se os meses.
e o tempo corria
E todas as vezes
que eu via a Maria
sozinha e menina
Dizia-lhe assim
Maria da Luz
Tu és para mim
o sinal da cruz
da cruz pequenina
Mas um dia, há sempre um dia
que nos rouba a fantasia
Maria entrou na capela,
esquiva, pé ante pé
Mas o meu símbolo de fé
não brilhava ao peito dela
Quis perguntar-lhe pela jura
Porém, de fé já perdida
Vi que não vinha segura
Tinha outra cruz na vida
Passavam-se os meses
o tempo corria
E todas as vezes
que eu via a Maria
com más companhias
Dizia-lhe assim:
Maria da luz
Tu és para mim,
o sinal da cruz,
da cruz dos meus dias
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Cara bonita
Mais outra homenagem a Tristão da Silva aqui se presta com este fado com letra de José Correia e música de Ferrer Trindade
Ao ver teu rosto bonito,
Custa-me a crer não acredito
Que um fado triste te deu
Grande castigo igual ao meu.
Mas se bem te fitar
Nesses teus olhos em que, sem fé,
Um sonho ardeu,
Talvez entenda a razão
Porque tu és tal como eu
Cara bonita
Disfarças bem teu desgosto,
Andas a rir da desdita
Que adivinho no teu rosto
Linda carita,
P'ra te ver feliz eu queria
A tua cara bonita
Junto a mim, noite e dia
Ao ver teu rosto bonito
Custa-me-a crer, não acredito
Que já sofreste também
E p'ra teu mal amando alguém,
A vida, quis assim
E castigou-nos por tanto amar
A mim e a ti
Por isso entendo a razão
Pois, como tu, também sofri
Ao ver teu rosto bonito,
Custa-me a crer não acredito
Que um fado triste te deu
Grande castigo igual ao meu.
Mas se bem te fitar
Nesses teus olhos em que, sem fé,
Um sonho ardeu,
Talvez entenda a razão
Porque tu és tal como eu
Cara bonita
Disfarças bem teu desgosto,
Andas a rir da desdita
Que adivinho no teu rosto
Linda carita,
P'ra te ver feliz eu queria
A tua cara bonita
Junto a mim, noite e dia
Ao ver teu rosto bonito
Custa-me-a crer, não acredito
Que já sofreste também
E p'ra teu mal amando alguém,
A vida, quis assim
E castigou-nos por tanto amar
A mim e a ti
Por isso entendo a razão
Pois, como tu, também sofri
domingo, 9 de novembro de 2008
Senhora da Nazaré
Aqui de novo Tristão da Silva, fabulosa voz. Só isso justifica que eu abra a excepção de editar aqui fado acompanhados por orquestra.
Senhora da Nazaré rogai por mim
Também sou um pescador que anda no mar
Ao largo da vida apruei nas vagas sem fim
Está meu barquito de sonhos quase a naufragar
As minhas redes lancei com confiança
Colhi só desilusões no mar ruím
Perdi o leme da esperança
Eu não sei remar assim
Senhora da Nazaré rogai por mim
Senhora da Nazaré rogai por mim
Também sou um pescador que anda no mar
Ao largo da vida apruei nas vagas sem fim
Está meu barquito de sonhos quase a naufragar
As minhas redes lancei com confiança
Colhi só desilusões no mar ruím
Perdi o leme da esperança
Eu não sei remar assim
Senhora da Nazaré rogai por mim
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Aquela janela virada pró mar
Tristão da Silva de novo cantando um fado de Frederico de Brito.
Fica a nota que será por certo a última vez que publicarei um fado sem ser acompanhado à guitarra e à viola. Só o facto de ser o Tristão da Silva a cantar me fez abdicar desse princípio.
Chamo a atenção ara a profundidade daqueles graves quando diz que eu deixei um dia, ninguém canta assim, continua a ser um deslumbre ouvi-lo.
Cem anos que eu viva não posso esquecer-me
Daquele navio que eu vi naufragar
Na boca da Barra tentando perder-me
E aquela janela virada pró mar
Sei lá quantas vezes desci esse Tejo
E fui p´lo mar fora com a alma a sangrar
Levando na ideia os lábios que invejo
E aquela janela virada pró mar
Marinheiro do Mar Alto
Olha as ondas uma a uma
Preparando-te um assalto
P´ra fazer teu barco em espuma
Repara na quilha bailando na crista
Das vagas gigantes que o querem tragar
Se não tens cautela não pões mais a vista
Naquela janela virada pró mar
Se mais ainda houvesse mais fortes correra
Lembrando-me em noites de meigo luar
Duns olhos gaiatos que estavam à espera
Naquela janela virada pró mar
Mas quis o destino que o meu mastodonte
Já velho e cansado viesse encalhar
Na boca da barra e mesmo defronte
Daquela janela virada pro mar
Marinheiro do mar alto
Olha as vagas uma a uma
Preparando-te um assalto entre montes de alva espuma
Por mais que elas bailem numa louca orgia
Não trazem desejos de me torturar
Como aquela doida que eu deixei um dia
Naquela janela virada pró mar
Fica a nota que será por certo a última vez que publicarei um fado sem ser acompanhado à guitarra e à viola. Só o facto de ser o Tristão da Silva a cantar me fez abdicar desse princípio.
Chamo a atenção ara a profundidade daqueles graves quando diz que eu deixei um dia, ninguém canta assim, continua a ser um deslumbre ouvi-lo.
Cem anos que eu viva não posso esquecer-me
Daquele navio que eu vi naufragar
Na boca da Barra tentando perder-me
E aquela janela virada pró mar
Sei lá quantas vezes desci esse Tejo
E fui p´lo mar fora com a alma a sangrar
Levando na ideia os lábios que invejo
E aquela janela virada pró mar
Marinheiro do Mar Alto
Olha as ondas uma a uma
Preparando-te um assalto
P´ra fazer teu barco em espuma
Repara na quilha bailando na crista
Das vagas gigantes que o querem tragar
Se não tens cautela não pões mais a vista
Naquela janela virada pró mar
Se mais ainda houvesse mais fortes correra
Lembrando-me em noites de meigo luar
Duns olhos gaiatos que estavam à espera
Naquela janela virada pró mar
Mas quis o destino que o meu mastodonte
Já velho e cansado viesse encalhar
Na boca da barra e mesmo defronte
Daquela janela virada pro mar
Marinheiro do mar alto
Olha as vagas uma a uma
Preparando-te um assalto entre montes de alva espuma
Por mais que elas bailem numa louca orgia
Não trazem desejos de me torturar
Como aquela doida que eu deixei um dia
Naquela janela virada pró mar
segunda-feira, 31 de março de 2008
Ai se os meus olhos falassem
Tristão da Silva tem que voltar aqui à galeria, cantando este fado da autoria de Jerónimo Bragança e Nóbrega e Sousa
Quanto mais quero esquece-la, vejam lá
Tanto mais me lembro dela, por meu mal
Eu não sei viver sem ela
Passo lá rente à janela
Sem ver dela nem sinal
Se a encontro por acaso, como é bom
Mas passamos adiante sem olhar,
Por orgulho quando passo
Eu até apresso o passo
Mas depois volto a passar
Ai, se os meus olhos falassem, contavam
Quantas saudades eu tenho de ti.
Ando morto por ter ver, vejo-te só a correr
Parar não ver que te perdi
Ai, se os meus olhos falassem, amor
Sabias quem te quer bem
Ai se os meus olhos falassem
Talvez a ti se contassem
O que eu não conto a ninguém.
Agora mudou de rua, vejam lá
Tem uma casa mais alta, que estadão
Agora nem parece ela, a rapariga singela
Que eu via no rés-do-chão
Mudou tanto, tanto, tanto, podem querer
Como do dia p’ra noite, tal e qual
Agora tudo o que resta, dessa rapariga honesta
É este amor sempre igual.
Quanto mais quero esquece-la, vejam lá
Tanto mais me lembro dela, por meu mal
Eu não sei viver sem ela
Passo lá rente à janela
Sem ver dela nem sinal
Se a encontro por acaso, como é bom
Mas passamos adiante sem olhar,
Por orgulho quando passo
Eu até apresso o passo
Mas depois volto a passar
Ai, se os meus olhos falassem, contavam
Quantas saudades eu tenho de ti.
Ando morto por ter ver, vejo-te só a correr
Parar não ver que te perdi
Ai, se os meus olhos falassem, amor
Sabias quem te quer bem
Ai se os meus olhos falassem
Talvez a ti se contassem
O que eu não conto a ninguém.
Agora mudou de rua, vejam lá
Tem uma casa mais alta, que estadão
Agora nem parece ela, a rapariga singela
Que eu via no rés-do-chão
Mudou tanto, tanto, tanto, podem querer
Como do dia p’ra noite, tal e qual
Agora tudo o que resta, dessa rapariga honesta
É este amor sempre igual.
quarta-feira, 26 de março de 2008
Em cinco minutos
Tristão da Silva um fadista de Lisboa, com um voz única, bem como a sua capacidade de cantar em tons graves, inigualável
Dos muitos êxitos que faziam parte do seu repertório e que vou tentar trazer aqui alguns destaco hoje este com autoria letra e música de Frederico de Brito
Dos muitos êxitos que faziam parte do seu repertório e que vou tentar trazer aqui alguns destaco hoje este com autoria letra e música de Frederico de Brito
Há cinco minutos
Que saiu daqui
Ia como louca
Com os olhos vermelhos
E um sorriso triste
Ao canto da boca
Há cinco minutos
Estive eu calado
A espiar-lhe os gestos
E olhava o relógio
Como se os minutos
Lhe fossem funestos
Tu ainda não sabes
Como o tempo passa
Com a divina graça
e os olhos enxutos
Mas quando o remorso
que é como um castigo
Na alma aparece
A gente envelhece
Em cinco minutos
Há cinco minutos,
Estive a lembrar
Do tempo passado
Do tempo em que andava
Perdido por ela
Sonhando acordado
Há cinco minutos
Fiz contas à vida
E aquilo foi breve
Mas tu nem calculas
Nem fazes ideia
Do que ela me deve
Tu ainda não sabes
etc.e etc.
Que saiu daqui
Ia como louca
Com os olhos vermelhos
E um sorriso triste
Ao canto da boca
Há cinco minutos
Estive eu calado
A espiar-lhe os gestos
E olhava o relógio
Como se os minutos
Lhe fossem funestos
Tu ainda não sabes
Como o tempo passa
Com a divina graça
e os olhos enxutos
Mas quando o remorso
que é como um castigo
Na alma aparece
A gente envelhece
Em cinco minutos
Há cinco minutos,
Estive a lembrar
Do tempo passado
Do tempo em que andava
Perdido por ela
Sonhando acordado
Há cinco minutos
Fiz contas à vida
E aquilo foi breve
Mas tu nem calculas
Nem fazes ideia
Do que ela me deve
Tu ainda não sabes
etc.e etc.
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