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sábado, 20 de março de 2010

Disse mal de ti

Hoje trago Amália Rodrigues, como já disse, não a homenageio aqui mais vezes porque felizmente a grande Amália é amplamente divulgada e só não ouve fados dela quem não quiser. Hoje a ideia é relembrar um grande poeta do fado de nome Linhares Barbosa o autor deste fado e pelo menos mais 7 que aqui podem ser escutados procurando ao lado pela indicação da etiqueta respectiva.

Pode ler-se no blog de Vitor Marceneiro, Lisboa no Guiness, um documento sobre a vida deste grande poeta do fado

A música deste fado é do Fado bizarro da autoria de Acácio Gomes


Fui dizer mal de ti a toda a gente,
Jurei, teimei, a todos convenci
Que és um impostor que nada sente
E ainda hoje disse mal de ti

Afirmei que me bates, que me oprimes,
Que és covarde, que és cínico e promíscuo
Serias bem capaz dos maiores crimes,
Se te pagassem bem. Disse tudo isto

Todos me acreditaram cegamente
Alguns olhos e lágrimas luzindo
Chorei, gritei, gemi cinicamente,
Mas cá dentro minha alma ia sorrindo

Na boca das mulheres vi o lume
Do ódio, do rancor que eu acendi!
Menti a toda a gente por ciúme!
Só eu quero gostar, gostar de ti







Contudo não fico por aqui e em visita que fiz a blogs amigos de gente fadista permito-me destacar e recomendar uma visita ao Fado em vinil de Fernando Batista e ouvir

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Perseguição

Em 1945 Amália grava o seu primeiro disco onde estava incluído este fado

Letra de Avelino de Sousa música de Carlos da Maia -fado perseguição

Se de mim nada consegues
Não sei porque me persegues
Constantemente na rua;
Saber bem que sou casada
Que fui sempre dedicada
E que não posso ser tua

Lá porque és rico e elegante
Queres que eu seja tua amante
Por capricho, ou presunção
Eu tenho um marido pobre
Que possui a alma nobre
E é toda a minha paixão

Rasguei as cartas sem ler
E nunca quis receber
Jóias ou flores que trouxesses
Não me vendo nem me dou
Pois já dei tudo o que sou
Com o amor que não conheces

Nesta gravação não sabendo porque razão Amália não canta esta última sextilha , que contudo faz parte do fado, conforme cantava a Maria Alice (a criadora deste fado),mas que trocava esta sextilha pela anterior.

Como sentinela alerta
Noite e dia sempre esperta
Na posição de sentido
Eu sou, a todo o instante
Sentinela vigilante
Da honra do meu marido


quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Fado Eugénia Câmara

Já disse algumas vezes e volto a repetir, o facto de não insistir em publicar fados popularizados pela grande Amália Rodrigues, não significa que não goste dela, simplesmente estando a internet tão cheia dos seus fados, só não os ouve quem não quiser, razão porque prefiro dar espaço a outras vozes.

Este fado é um dos meus preferidos

Letra de Pereira Coelho Música de Raul Ferrão com o mesmo nome do fado

Amar é ter alegria
Nem o mundo existiria,
Não existindo esse bem.
Quem não amar, não tem nada,
Como é bom ser adorada,
Como é bom gostar de alguém!

Mas se o amor, feito mágoa,
Se desfaz em gotas d água,
Pouco a pouco fica o mar!
E depois, o mar desfeito,
Batendo de encontro ao peito
Põe a alma a soluçar!

A vida é toda desejos,
Marcam-se os dias com beijos,
Quem não amou, não viveu!
Só quem perde um grande amor
É que sabe dar valor
A todo bem que perdeu!

Mas se houver uma traição
Mata o próprio coração,
O amor que viu nascer
Nessa dor que nos tortura
Antes morrer de amargura,
Que amargurada viver!


domingo, 25 de maio de 2008

Cansaço

A grade Amália tinha que estar presente neste blogue, se entra menos é porque não acho necessário fazê-lo , porque a Amália não precisa de divulgação, mas este fado para mim, um dos que ela canta, que mais gosto.

A letra de Luís Macedo remete-nos para conceitos de vida e morte, bem mais profundos que os habituais.

A música é do Fado Tango de Joaquim Campos da Silva, um funcionário dos Caminhos de Ferro, falecido em 1981, que também era fadista.

Caso não consiga ver o vídeo indicado no fim da página clicar >>>>>>>>>>>>>>>>> aqui

Por trás do espelho quem está
d´olhos fixados nos meus,
alguém que passou por cá
e seguiu ao Deus dará
deixando os olhos nos meus

Quem dorme na minha cama
e tenta sonhar meus sonhos
alguém morreu nesta cama
e lá de longe me chama
misturada nos meus sonhos

Tudo o que faço ou não faço
outros fizeram assim
ai de mim este meu cansaço
de sentir que quanto faço
não é feito só por mim



quinta-feira, 15 de maio de 2008

Trago fados nos sentidos



é uma fado com letra de Amália Rodrigues e música de José Fontes Rocha

Trago fados nos sentidos
Tristezas no coração
Trago os meus sonhos perdidos
Em noites de solidão
Trago versos, trago sons
De uma grande sinfonia
Tocada em todos os tons
Da tristeza e da agonia.

Trago amarguras aos molhos
Lucidez e desatinos
Trago secos os meus olhos,
Que choram desde meninos,
Trago noites de luar
Trago planícies de flores,
Trago o céu e trago o mar,
Trago dores ainda maiores.



domingo, 6 de abril de 2008

Povo que lavas no rio

Não quero insistir demasiado em publicar aqui coisas da grande Amália Rodrigues, pela simples razão que a internet e em especial o You Tube estão cheios de grande momentos dela.

Por outro lado este blogue ficaria sempre incompleto, se não trouxesse aqui um dos grande fados que interpretou, escolhi este com letra de Pedro Homem de Melo e música do Fado Vitória de Joaquim Campos da Silva


Povo que lavas no rio
que talhas com teu machado
as tábuas do meu caixão
há-de haver quem te defenda
quem compre o teu chão sagrado
mas a tua vida não

Fui ter à mesa redonda
beber em malga que esconda
um beijo de mão em mão
Era o vinho que me deste
água pura em fruto agreste
mas a tua vida não

Aromas de urze e de lama
dormi com eles na cama
tive a mesma condição.
Povo, povo eu te pertenço
deste-me alturas de incenso
mas a tua vida não