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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Falar sozinho

Já com 50 anos de carreira Nuno de Aguiar é um dos mais antigos fadistas no activo.

Trago-o aqui para cantar uma letra de Silva Tavares sobre o fado bacalhau de José António Silva. uma música do ínicio do século 20 mas que ainda hoje é bastante usado, foi um dos primeiros fado para sextilhas, num tempo em que todos cantavam versos em quadras, em redondilha maior.


La porque passo na rua
sempre a conversar comigo
no meu silêncio profundo,
dizem que eu ando na lua,
e outras coisas que eu não digo,
só para não ouvir o Mundo

Diz-me aquele que devo ir
ao doutor mostrando pena
para não dizer que estou louco,
um outro então sem sentir,
diz-me que não vale a pena,
enlouquecer por tão pouco.

Depois outro e outro ainda,
perdem tempo a conversar,
do meu conversar assim,
e enquanto a vida não finda,
eu prossigo sem reparar,
que alguém reparou em mim.

Lá porque falo comigo
e levou uma vida a esmo
o Mundo fala de mim,
deixai-me um só bocadinho,
conversar comigo mesmo,
que um louco não é assim.


sábado, 26 de dezembro de 2009

Pobre fado

O trabalho de recuperação de alguns fados perdidos continua, pelo que penso já ser possivel ouvir todos sem problema até à etiqueta 077


Concórdio Henriques de Aguiar, que adoptou o nome artístico Nuno de Aguiar, nasceu em Lisboa a 1 de Setembro de 1941 no Bairro da Graça.

Aos 15 anos grava na Rádio Graça e mais tarde em 1960, ganha o “Concurso da Primavera” de fado.

Nuno de Aguiar considera este ano o seu 50ª aniversario de carreira, temos que respeitar se é ele que o diz mas se alguém grava na Rádio Graça em 1956 e ganha prémios, deveria ter
53 anos de carreira

Aqui sobre a letra do fado Isabel de Fontes Rocha canta uma letra de Fernando Farinha


Pobre fado que adorei
Como a um santo se adora
Tão bonito te encontrei
Tão feio te vejo agora

Onde está o teu passado
Tudo o que o povo te deu
Esse povo que era teu
E de ti anda arredado

Andas a ser maltratado
Por gente que te ignora
Fingindo que por ti chora
Como eu por ti chorei
Pobre fado que adorei
Como a um santo se adora

Em vozes sem realidade
Que enfeitam de versos loucos
E assim aos poucos e poucos
Te vão roubando a verdade;

Como eu lembro com saudade
Teu sentimento de outrora
Todo o amor que em boa hora
Tu me deste eu te dei
Tão bonito te encontrei
Tão feio te vejo agora