Nesse tempo de sorriso,
nosso mundo tão preciso,
feito céu no paraíso;
seu abraço era carinho
meu marido em nosso ninho,
tudo em nós era improviso.
Vem o vento a separar,
minha vida a desfolhar,
quer meu corpo derrotar;
sou folha longe do lar,
sem teu colo pra me amar,
nem teu filho a me chamar.
Quando vens trazes calor,
por instantes dá-se amor,
mas logo tens que partir.
Tu chegas pra me olhar,
e depois tens de voltar,
e a minha vida por cumprir
O outono então chegou
quando o amor se afastou,
e o meu mundo se quebrou;
sou folha sem direção,
presa à fria solidão,
que o destino me deixou.
E entre a vida e o fim,
há um sopro dentro de mim,
que não quer dizer que sim;
sou folha, mas ainda insisto,
num milagre nunca visto,
pra voltar ao meu jardim.
Este blogue é o local onde guardo os meus poemas para serem cantados e também uma homenagem a todos os que amam o FADO.
quinta-feira, 25 de junho de 2026
*Eu quero vencer a morte
quarta-feira, 6 de maio de 2026
*Poema eterno
Versos desbotados, folhas de outono,
Contam a história dum amor calado,
Ergo palavras soltas e sem dono,
Vivas no peito de amor selado.
Em cada verso revive a paixão,
Poema antigo a pedir por ficar,
Na luz da lua renasce a canção,
Meu motivo, meu verso e meu lar.
Que o tempo não apague o passado,
Que este poema não tenha mais fim,
Em cada verso, amor não curado,
E no silêncio, ainda vives em mim.
E se a noite se fecha em teu nome,
Ainda em mim teimas em brilhar,
Nem o silêncio jamais te consome,
Pois és verso que insiste em ficar.
sexta-feira, 17 de abril de 2026
*Quando eu for à tua terra
Quando eu for à tua terra
levo as saudades comigo,
foram tantas e sofridas,
deixá-las eu não consigo.
Quando eu for à tua terra
levo as saudades comigo,
Quero matá-las contigo,
ver os teus olhos nos meus,
roubá-los com os meus beijos,
para não serem só teus.
Quero matá-las contigo,
ver os teus olhos nos meus,
Quero prender esse instante,
no calor do teu abrigo,
que não fuja mais de nós,
nem se perca do que digo.
Quero prender esse instante,
no calor do teu abrigo,
Eu não quero mais lonjura
do brilho do teu olhar,
mais saudades não desejo,
matei-as… quero ficar.
Eu não quero mais lonjura
do brilho do teu olhar,
quinta-feira, 26 de março de 2026
*A cidade são os amigos
Volto à cidade querida,
Lisboa em minha vida,
sinto o amor a me chamar…
Risos velhos me acolhem,
dos amigos que se escolhem,
em meu ser hão de morar.
Lisboa abre-me os braços,
cada rua tem seus traços,
do tempo que ali deixei…
Cheira a amor e a luar,
na cidade à beira-mar,
por teu amor eu voltei.
Voltar à cidade querida,
das colinas minha vida,
passos que não vou dar…
Novos fados me acolhem,
outros ainda se escolhem,
que o tempo não quis levar.
E na tarde que descansa,
fica em mim a lembrança,
de um viver que não morreu,
Lisboa em cada esquina,
com a luz que me ilumina,
num lugar que é só meu.
E pelo tempo a viajar,
consigo me recordar,
doutros tempos já sofridos,
os meus cantos são sentidos,
e juntos dos meus amigos,
mais risos serão vividos.
quarta-feira, 18 de março de 2026
*Fado da libertação
No grito onde o fado mora,
calando a voz sonhadora,
nunca a deixaram cantar,
com a força da opressão,
prendiam-lhe o coração
do sonho por libertar.
No silêncio que doía,
foi crescendo a rebeldia,
sem jamais se rebelar,
feito lume bem guardado,
num peito já magoado,
na ansia de se soltar.
Já no outono da vida,
sem voz presa ou contida,
libertou seu coração,
deu ao mundo o seu cantar,
fez da dor outro lugar,
e da mágoa a canção.
E hoje canta sem temor,
já não cala a sua dor,
nem se prende ao que passou,
é voz livre e na verdade,
já não vive de ansiedade
canta a vida que sonhou
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
*Cada estrofe é despedida.
.
Dorme a dor dentro de mim,
Perde o peito, a paz enfim.
Põe a alma em desencanto;
Perde o eco, a minha voz.
Sem canto que fale em nós,
Fica a vida mudo pranto.
Na noite que não termina,
Meu fado não se ilumina;
Cada nota é meu degredo.
Se o tempo não apagou,
Cada lágrima que ficou;
Nesta dor traz meu segredo
Morre a luz no meu olhar,
Nada fico a recordar.
Cada nota é minha vida,
Fica só o meu enredo.
O fado leva meu segredo.
Cada estrofe é despedida.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
*Bebo amor as minhas lagrimas
Bebo amor as minhas lagrimas
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
*Não me cantes por compaixão
os sons da minha voz.
Antes quero que me digas
se ao meu canto já não ligas,
nem se canta fazendo cena
se o cantares sem amor,
pois perde a sua verdade,
a alma fica em saudade
perde todo o seu valor
nem o gesto disfarçado
que teu peito já não sente.
mata a tua compaixão,
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
*Dúvidas
Dúvidas
ou se é miragem breve no deserto.
Não sei se há em teus gestos lealdade,
ou se me engano ao crer-me estar tão perto.
ou guarda em si um rasto de ternura?
Será que este desejo é todo em vão,
ou nasce dele a força que perdura?
se o coração me pede que te siga?
Por que razão meu riso é já contido,
se o teu olhar se afasta e me castiga?
É luz que guia e sombra que apavora,
Talvez a tua ausência já definha,
domingo, 28 de dezembro de 2025
*Na esperança do amor futuro
Trarei aurora na mão,Traria a calma na mão,
do fundo do coração,
Se o teu amor for ficar,
amar sem medo, ou castigo;
em tudo o que agora digo,
moraria a paz de amar.
no claro do coração.
Se teu amor for ficar,
serás sempre, meu abrigo;
e na boca eu sempre digo,
Levarei a tua mão
pelo brilho do coração.
Quando juntos o amor falar,
será calma sem castigo;
em cada gesto que sigo,
domingo, 7 de dezembro de 2025
*O sol do teu amor
Se tua mão me toca, breve,
nem que seja ao de leve,
traz contigo o teu sabor.
Fica perto, não te vás,
quero tudo o que me dás,
e aquece este nosso amor.
Sinto o vento que dizia,
como voz que me anuncia
o regresso do teu calor.
Rompe a noite a claridade,
foge enfim a ansiedade,
ao verão do teu amor.
Vem, meu louco pensamento,
vem ao sabor desse vento
que traz teu riso — meu calor.
Vem romper o meu anseio,
que deixa o coração cheio,
dá-me o sol do teu amor.
Fado João Maria dos Anjos
sábado, 15 de novembro de 2025
*As rugas duma vida
marcas do que já sonhei.
Se um dia fui mocidade,
hoje trago só metade
do sorriso que deixei.
carregam velhos momentos
que o coração me deixou.
E no espelho que me fita
há uma vida já escrita
que o tempo não perdoou.
entra e no rosto se alarde,
revela o que o tempo fez.
Mas ainda tenho esperança,
num resto daquela dança
do que fui na minha vez.
a luz inside em minha alma
e reacende o que restou.
Do sorriso que perdi,
há um pouco ainda em si
que o tempo não apagou.
quinta-feira, 6 de novembro de 2025
*Fado do que ficou
mas na casa fica o lume
que deixaste ao te afastar,
é calor que não se apaga,
mesmo quando a alma vaga
pelos cantos do lembrar.
Nos retratos da memória,
guardo o fim da nossa história,
feito em sombra e claridade.
Se outro amor vier depois,
será eco de nós dois,
e do tempo, a eternidade
que o amor fosse quimera,
ficarei sem te esquecer.
Pois nas cordas da guitarra,
toda a dor que o fado amarra
volta sempre a renascer.
pois na voz quero guardar
tudo o que o amor deixou.
Cada nota é despedida,
mas também promessa erguida
num fado do que ficou
quinta-feira, 30 de outubro de 2025
*A Luz do Teu Olhar
Pelas ruas da saudade,
Ecoa a felicidade;
Que a lua vem anunciar.
No mistério dessa hora,
Toda a dor se vai embora;
Quando vens me procurar.
Sob a luz prata do céu,
Teu olhar é como um véu;
Que me beija e me embala.
Quando o sonho se ilumina,
Tua voz, tão cristalina;
Vem meu corpo despertar.
No olhar arde o mistério,
No beijo, o lume etéreo;
Que o silêncio me deixou.
Tua voz, doce ventura,
Desperta em mim ternura;
Que o tempo eternizou.
Nas sombras nasce o desejo,
Fogo intenso do teu beijo;
Como brisa a me tocar.
É no quarto que floresce,
Esse amor que me enriquece;
Com teu corpo a me abraçar.
musica de João Maria dos Anjos,
segunda-feira, 20 de outubro de 2025
*Eterno fado
Da ternura desejada
Onde o sonho vem morar
A canção que nos embala
Como vento que não cala
Na promessa de te amar
Vem meu peito te esperar
No compasso da canção
A saudade se disfarça
Na ternura que se enlaça
No silêncio da paixão
O teu rosto vem brilhar
Feito estrela a me guiar
Um encanto que se acende
Quando a noite nos entende
E decide nos juntar
Há traçado tão divino
Que nos leva a um só lugar
Onde o fado se entrelaça
Com a vida que se abraça
No desejo de ficar
O segredo mais bonito
Que a alma quis revelar
Entre sonhos e luar
Nosso amor há de ficar
Para sempre a cintilar
domingo, 12 de outubro de 2025
*No outro lado do rio
moras na minha saudade,
ouço o vento como é frio,
traz-me ecos da verdade,
do outro lado do rio.
vai meu sonho a navegar,
segue num rumo tardio,
com vontade de chegar,
ao outro lado do rio.
No outro lado do rio
fica a promessa calada,
guardo meu sonho vadio
duma paixão não quebrada,
no outro lado do rio.
Do outro lado do rio
há um luar a brilhar,
guia meu passo vazio
na vontade de te amar,
no outro lado do rio.
No outro lado do rio
sei que esperas por mim,
como num grande desafio
que não conhece mais fim,
sendo imenso este rio.
música do fado bailado de Alfredo Marceneiro
sábado, 27 de setembro de 2025
*A mais doce tentação
E depois do amor aceso,
vem teu riso me embalar,
nos teus braços adormeço,
sem vontade de acordar.
Teu sorriso me desarma,
teu silêncio me conduz,
há ternura no que faço
e desejo a tua luz.
O teu rosto me seduz
Desenhado a cada traço
Gosto tanto do teu riso,
claridade que me invade,
trazes no peito o paraíso,
dá-me amor em liberdade.
Teu beijo tem coração
e acende o meu querer,
teu corpo é tentação,
onde gosto me perder.
Com amor sem me conter
com os dedos com paixão
Nosso amor é sem medida,
feito de sonho e calor,
enche inteira a minha vida
com mil formas de esplendor.
Quando acordas junto a mim,
o meu dia ganha cor,
já só quero o teu abraço,
só viver no teu amor.
Adorar o teu calor
teu corpo é o meu espaço
Quando a noite se demora
e o desejo se acendeu,
teu sussurro me devora,
teu desejo já é meu.
O teu toque é sedução,
vem dançando sobre mim,
faz da noite uma ilusão,
com perfume de jasmim
E derrama sobre mim
a mais doce tentação.
Fado corrido
Fado refúgio
Este refúgio é apenas um exemplo
Agradeço o magnífico grafismo de Vitaskaly, a quem delicadamente roubei este trabalho
Refúgio da noite calma
Engano do sofrimento
Eu trago na voz, a vida
Que me tem sido oferecida
Eu trago na voz, o vento
Se um amor que se perdeu
Que se afastou ou esqueceu
Eu trago na voz, a vida
De uma breve despedida
São meus sonhos, a saudade
Minha vida, uma verdade
Eu trago na voz, o vento
Para afastar o lamento
segunda-feira, 22 de setembro de 2025
*Fado do amor calado
Versos desbotados, folhas de outono,
Contam a história dum amor calado,
Ergo palavras em castelo sem dono,
Guardo teu nome no peito selado.
Em cada verso revive a paixão,
Poema antigo que insiste em ficar,
Sob a luz da lua renasce a canção,
És meu motivo, meu verso e meu lar.
Que o tempo não apague o passado,
Que este poema não tenha jamais fim,
Em cada verso, amor não curado,
E no silêncio, ainda vives em mim.
E se a noite se fecha em teu nome,
Ainda em mim teimas em brilhar,
Nem o silêncio jamais te consome,
Pois és verso que insiste em ficar.