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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Um fado é pouco


Sempre gostei imenso de ouvir Maria Valejo cantar, lembro-me que a primeira vez que a ouvi, na sua condição de fadista, foi há muito anos, na casa de fados que Tony de Matos geria. Lembro que ela fazia parte do elenco,  repartindo a actuação com o Tony e com outra grande fadista chamada Lídia Ribeiro.

Que é feito de Valejo ? Este minúsculo país consegue ocultar os seus melhores, enquanto dá guarida a qualquer palerma, que entende que usar o inglês para se exprimir é o melhor para as sua carreira, que dura por vezes muito pouco e não se alarga além de Badajoz

Este fado chamado Um fado é pouco tem letra de Artur Ribeiro para a música da  marcha de Raúl Pinto

Um fado só, não vai dar
Para contar à cidade,
Os sonhos que de mim trago,
Um fado, não vai chegar
Nem para dizer metade,
Do amor que te consagro,

Um fado só não é nada,
Para dizer cada anseio,

Do nosso amor sem razão,
Desta paixão desvairada,
Que não sei como é que veio,

Nascer no meu coração.

Para falar, de dois loucos,
Um fado só não vai dar,

Nem vai dar a minha voz,
Todos os fados, são poucos,
E mesmo assim, se calhar

Vai ficar além de nós



domingo, 17 de julho de 2011

És tu

António Mendes é o fadista proprietário da casa Guitarras de Lisboa em Alfama no Beco do Meio, 1 para quem quiser tem o telefone 21 880 99 28 (não tenho qualquer tipo de interesse pessoal Só informo para quem estiver interessado)

Mendes é um veterano que por acaso já ouvia cantar muito antes dele abrir este espaço

Ei-lo num fado de Zeca Maneca para o fado marcha de Raúl Pinto

O meu despertar risonho
teve aleluia de cores
quando viu os olhos teus
sentiu magia dum sonho
no arco-íris de amores,
que os teus olhos dão aos meus

És tu que neste momento
cala a voz da solidão
no amor que existe em mim,
corrente dum sentimento
de dois corpos que se dão
num fogo ardente sem fim.

És verão que quer ficar,
no meu inferno descrente
batido pela neve fria,
és tu a quem quero amar
sendo a raiz a semente
do raiar dum novo dia


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Escravos e donos


Ainda não tinha trazido aqui Gabino Ferreira uma voz inconfundível do fado, que nasceu no Porto na freguesia do Bonfim, em 1922 e que tanto quanto julgo saber saber ainda está vivo

Canta aqui uma letra de Carlos Conde e música da marcha de Raúl Pinto, um dos seus fados mais populares.

Quem quiser ler mais sobre Gabino Ferreira pode consultar o blog do Vitor Marceneiro, Lisboa no Guiness.

No jardins da cidadela
Em dia alegre de Maio
Pelo caír da tardinha
Um aio solta a cadela
Qua rasga a carne ao lacaio
P’ra divertir a rainha

Depois, no salão doirado
Entre gente de alto porte
E figuras d’alta grei
Um bobo chicoteado
Pelos fidalgos da corte
Vai beijar os pés ao rei

E enquanto a seje real
Atravessa o picadeiro
P’ra ser mostrada á nobreza
Junto ao lago de cristal
Morre á sede um albardeio
P’ra recriar a princesa

Três quadros tristes, banais

Que em futuro mais feliz
Sem ódio nem opressão
Dirão bem quem vale mais
Se os escravos dum país
Se os donos duma nação


terça-feira, 2 de junho de 2009

Resultados da votação de "Qual o fado que mais gosto ?"

Resultados finais da votação efectuada entre os leitores deste blog

  1. Sotão da Amendoeira- votos 1ªfase 9 votos final 6 total 15 votos
  2. Lenda das rosas------------- votos 1ªfase 8 votos final 6 total 14 votos
  3. Fiz leilão de mim ------------ votos 1ªfase 7 votos final 6 total 13 votos
  4. Estranha forma de vida ------- votos 1ªfase 5 votos final 6 total 11 votos
  5. Balada do sol errado ----------votos 1ªfase 5 votos final 6 total 11 votos
  6. É tão bom ser pequenino ------- votos 1ªfase 6 votos final 4 total 10 votos
  7. Búzios ----------------------votos 1ªfase 6 votos final 4 total 10 votos
confirmado os resultados da primeira fase,

Relembrado que este fado foi aqui publicado, cantado pela voz do rei Fernando Maurício.

Simbolicamente, republico este fado, também um dos meus favoritos, cantado por um jovem o fadista nortenho o Ricardo Mesquita.

Letra de Carlos Conde Música de Raul Pinto-Marcha

Naquele típico sótão
Sob as telhas mais antigas
Da Rua da Amendoeira
Inda há traços que denotam

O sabor dado às cantigas
Pla Matilde cantadeira

Airosa mas inconstante

A Matilde dava ao Fado
A graça de outros estilos

No velho café cantante
Que ficava mesmo ao lado
Da Estalagem dos Camilos

No sótão esconso e sujo
Três sombras de porte ufano
Espreitam a Mouraria
As lágrimas de um marujo

Os ciúmes de um cigano
E os remorsos de um rufia

Senti presos os meus pés
Mas desviei o caminho

E quedei-me ali à beira

Só para ver outra vez

Aquele sótão velhinho
Da rua da Amendoeira


Caso não consiga ver o vídeo clicar >>>>>>>>>>>>>> aqui


sábado, 4 de abril de 2009

Minha mágoa

Voltar a ouvir Manuela Cavaco é um prazer. Uma fadista do Montijo, com uma carreira já longa de mais de 30 anos, embora tenha que se atender que começou a cantar muito jovem. Na sua carreira já contou nas mais conhecidas casas de fado e inúmeras vezes no estrangeiro

Este fado tem letra de Maria Teresa Albuquerque e música da marcha de Raul Pinto

De tanto, tanto cantar
Já quase não sei chorar
Dando alivio à minha mágoa
Mas às vezes quando canto
A minha dor sinto tanto
Tenho os olhos rasos de água

Meu amor quando me ouvires
Se saudade ainda sentires
Do tempo que já passou
Escusas de pedir perdão
Que o meu pobre coração
Já tudo te perdoou

Enquanto a guitarra toca
A minha saudade invoca
Os dias que já vivi
E então como um lamento
A voz é o pensamento
Que trago agarrado a ti


A todos os que gostam de ouvir cantar Manuel Cavaco e querem saber um pouco mais dela, recomendo que a visitem no seu blog.

Caso não consiga ver o vídeo clicar >>>>>>>>>>>>>>>>>>> aqui


terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Sotão da amendoeira


Na voz do Fernando Maurício, que tantas vezes ouvi cantar este fado, a sós ou repartindo o fado com outros colegas.

É uma saudade.

Letra de Carlos Conde Música de Raul Pinto-Marcha


Naquele típico sótão Sob as telhas mais antigas
Da Rua da Amendoeira
Inda há traços que denotam

O sabor dado às cantigas
Pla Matilde cantadeira

Airosa mas inconstante

A Matilde dava ao Fado
A graça de outros estilos

No velho café cantante
Que ficava mesmo ao lado
Da Estalagem dos Camilos

No sótão esconso e sujo
Três sombras, porte ufano
Espreitam a Mouraria
As lágrimas dum Marujo

Os ciúmes dum Cigano
E os remorsos de um Rufia

Senti presos os meus pés
Mas desviei o caminho

E quedei-me ali à beira

Só para ver outra vez

Aquele sótão velhinho
Da rua da Amendoeira