Uma palavra Jorge Fernando no seu melhor. Como é seu hábito, autor de letra e de música e a presença duma voz maravilhosa, isto chama-se o pleno dum grande artista.
Esta fado está inserido num CD chamado Vidas
Quando a noite promete lançar-me na senda do frío
Quando a chuva se atreve no rosto gelado e cansado
E a névoa da montra reflecte meu olhar vazio
Porque a olho e não vejo senão o rosto do pecado
Quando a calça molhado pela água que o vento me atira
E o corpo reclama a atenção que o pensamento nega
É que eu sinto que às vezes a alma de mim se retira
E suspensa só espera um sinal para a última entrega
Quando o asfalto molhado recusa o descanso breve
E o cansaço me toma nos braços das sombras que assomem
A criança que fui volta a mim, e os sonhos que teve,
São a voz do menino que pede,não queiras ser homem
Quando a angústia gastar o meu tempo e minha coragem
De não querer nem sequer resistir ao caminho traçado,
Não há chuva, nem vento, nem frio que me impeça a viagem
E eu serei apenas a lembrança de um triste pecado
Este blogue é o local onde guardo os meus poemas para serem cantados e também uma homenagem a todos os que amam o FADO.
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
Morrer-me devagar
Este fado é do trabalho do Jorge Fernando chamado Vida
Vida” é uma colecção de 16 retratos musicais e poéticos sobre o espírito dos dias. “Sobre o amor, visto como sexo ou como o ultimo refúgio maternal (conforme, por exemplo Morrer-me Devagar e Colo de Mãe, respectivamente) ou sobre o olhar indignado de quem vê o abandono dos que nasceram do lado incerto da vida (Fado da Triste Stripper, Bela Adormecida)”, como descreve, em comunicado, a editora discográfica Farol Música.
Letra de Jorge Fernando música de Miguel Ramos no Fado Alberto
Cruza-se o olhar e cai o céu
Na esfera circundante, do olhar
Sem distinguir o meu olhar do teu
Recuso nossos olhos descruzar
E as mãos, que do meu corpo se distinguem
Apenas p’la suave cor da tez
Pedem aos meus dedos que se vinguem
No deslumbre e no risco da avidez
Assim, eu me harmonizo no confronto
Das ancas, num intenso compassar
E quando meu amor me sentir pronto
Dentro em ti, vou morrer-me devagar
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Só mais um fado
Não me engano se afirmar que não há fadista no activo, que não cante pelo menos um fado de Jorge Fernando e isto diz tudo dobre a sua qualidade com poeta do fado. Acrescentando a esse dom, que já não era pequeno, junte-se lhe esta voz maravilhosa, este frasear claro e sem repelões desnecessários, nem exibicionismos estilosos e temos Jorge Fernando.
Normalmente também compõe música para as suas letras mas desta vez meteu o seu poema em cima da música do fado Zeca de Amadeu Ramim.
Este fado está incluso no seu último trabalho de 2009 que chamou de Vidas, onde canta esse tema que deu nome ao álbum por duas vezes em dueto com a grande Amália , mas também com a fabulosa miúda Fábia Rebordão, que ele ouviu, tal como eu dar os primeiros passos como fadista, nos Ferreiras em Lisboa.
Um abraço Jorge e venha mais disto, o Fado espera-o sempre
O frio da noite andou pla minha mão
num rodopio de estrela e luar
doeu-me mais o frio da solidão
que a mão teimosamente a querer gelar.
Em mim, coube-me apenas por memória,
as dádivas do amor que me trouxeste,
sou livro que suspenso ao fim da história,
espera o final, que ainda não escreveste.
Quedei-me algures cansado dos meus passos,
de tentar perseguir o pensamento,
os laços entre nós ficaram lassos
frouxos como o meu próprio lamento.
Dá-me pois a ilusão duma só hora
dum final suspenso e adiado
para se acalmar o frio que me devora,
preciso de te ouvir só mais um fado.
Normalmente também compõe música para as suas letras mas desta vez meteu o seu poema em cima da música do fado Zeca de Amadeu Ramim.
Este fado está incluso no seu último trabalho de 2009 que chamou de Vidas, onde canta esse tema que deu nome ao álbum por duas vezes em dueto com a grande Amália , mas também com a fabulosa miúda Fábia Rebordão, que ele ouviu, tal como eu dar os primeiros passos como fadista, nos Ferreiras em Lisboa.
Um abraço Jorge e venha mais disto, o Fado espera-o sempre
O frio da noite andou pla minha mão
num rodopio de estrela e luar
doeu-me mais o frio da solidão
que a mão teimosamente a querer gelar.
Em mim, coube-me apenas por memória,
as dádivas do amor que me trouxeste,
sou livro que suspenso ao fim da história,
espera o final, que ainda não escreveste.
Quedei-me algures cansado dos meus passos,
de tentar perseguir o pensamento,
os laços entre nós ficaram lassos
frouxos como o meu próprio lamento.
Dá-me pois a ilusão duma só hora
dum final suspenso e adiado
para se acalmar o frio que me devora,
preciso de te ouvir só mais um fado.
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