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quinta-feira, 25 de junho de 2026

*Eu quero vencer a morte

Nesse tempo de sorriso,
nosso mundo tão preciso,
feito céu no paraíso;
seu abraço era carinho
meu marido em nosso ninho,
tudo em nós era improviso.

Vem o vento a separar,
minha vida a desfolhar,
quer meu corpo derrotar;
sou folha longe do lar,
sem teu colo pra me amar,
nem teu filho a me chamar.

Quando vens trazes calor,
por instantes dá-se amor,
mas logo tens que partir.
Tu chegas pra me olhar,
e depois tens de voltar,
e a minha vida por cumprir

O outono então chegou
quando o amor se afastou,
e o meu mundo se quebrou;
sou folha sem direção,
presa à fria solidão,
que o destino me deixou.


E entre a vida e o fim,
há um sopro dentro de mim,
que não quer dizer que sim;
sou folha, mas ainda insisto,
num milagre nunca visto,
pra voltar ao meu jardim.



,musica de Júlio Proença-Fado Proença,

quarta-feira, 18 de março de 2026

*Fado da libertação

No grito onde o fado mora,
calando a voz sonhadora,
nunca a deixaram cantar,
com a força da opressão,
prendiam-lhe o coração
do sonho por libertar.

No silêncio que doía,
foi crescendo a rebeldia,
sem jamais se rebelar,
feito lume bem guardado,
num peito já magoado,
na ansia  de se soltar.

Já no outono da vida,
sem voz presa ou contida,
libertou seu coração,
deu ao mundo o seu cantar,
fez da dor outro  lugar,
e da mágoa a  canção.

E hoje canta sem temor,
já não cala a sua dor,
nem se prende ao que passou,
é voz livre e na verdade,
já não vive de ansiedade
canta  a vida  que  sonhou



,musica de Júlio Proença-Fado Proença,

sábado, 10 de maio de 2025

*O segredo que vive em mim


Guardo no peito, um segredo, 
nome quase dito a medo, 
nesse olhar, que vive em mim 
nos lábios, beijo suspenso, 
no teu amor em que penso. 
faço do mundo, um jardim. 

Tua sombra me acompanha, 
noite dentro, se desenha , 
como um sopro que me cala, 
como um eco que persiste, 
amor destino que existe, 
vida esquecida, sem fala. 

O coração guarda teu nome, 
eco leve em voz com fome, 
o vento traz me teu riso, 
vem na brisa o teu perfume, 
uma saudade que assume, 
o teu olhar que eu preciso. 

Levo-te em cada caminho, 
em cada passo sozinho, 
como quem sonha e não diz, 
como quem ama e nao fala, 
sopro , que guardo e se cala 
gritando o amor que te quis.

,musica de Júlio Proença-Fado Proença,

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

*O amor que não partiu

Desejo plo teu abraço, 
era uma doce tentação, 
a iluminar minha vida, 
mas ao cortares esse laço
mataste meu coração,
minh alma ficou perdida 

Lembranças desse meu sonho, 
da boca que não beijei, 
mas que sempre quis beijar, 
essa loucura onde me ponho,
junto ao amor que te dei,
mas nunca quiseste amar 

Dei te versos, dei canções, 
dei meu amor sem razão, 
mas teu peito se fechou. 
rejeitaste as emoções, 
não queres minha paixão, 
só o meu sonho restou. 

Guardo esta paixáo sem idade, 
mas que tu não queres saber, 
dos sonhos que eu ansiei, 
pois neste amor há verdade ,
chama imensa por te querer 
dar tudo o que não te dei, 

Na memória do teu rosto, 
revejo o que eu te pedi. 
mas teu coração não sentiu 
pois ficou só meu desgosto, 
dum sonho que não vivi, 
 mas meu amor náo partiu 


 Júlio Proença-Fado Proença,

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

*Desistir não é vencer

Ha amor, que nao se apaga
que dentro d alma resiste
em jeito de teimosia, 
que na memoria se afoga
e no coração presiste
em amor que nao se adia

Na sombra desses  lamentos,
uma força a quer partir,
nos segreda a dizer não
outra a gorar os intentos,
e a lutar por prosseguir,
por buscar tua afeição

Por anseios tão incertos,
A esperança é meu abrigo.
Ainda espero teu calor,
Mesmo em sonhos tão desertos, 
Eu só tenho por castigo
Teu silêncio, sem amor.

Desistir náo é vencer,
nao deixarei de lutar,
mesmo vivendo sofrido,
porque só quando morrer,
eu deixarei de te amar,
minha vida fez sentido 

 Júlio Proença-Fado Proença

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Ninguém quer saber de mim

Hoje ao conversar no FB com a minha amiga Helena de Castro, ela também grande fadista, lembrou-me de Júlia Lopes uma veterana fadista, que ainda não há muito tempo estava em excelente forma vocal.

Dona do chamado vozeirão, lembro-me dela no inesquecível Ferreiras em Lisboa, e o seu famoso baté o pé no chão, com que terminava alguns fados, dando expressão à alma com que viva cada fado

Hoje relembro-a aqui cantando o fado Ninguém quer saber de mim, uma letra de João Dias para o fado Proença de Júlio Proença

Não me perguntem quem sou,
onde vais pra onde eu vou
ou se estou triste ou contente,
barco de vela rasgada,
sigo ao encontro do nada,
que me chama do poente.

Meus olhos plantaram estrelas,
ninguém se ergueu a colhe-las
que se apagaram cansadas
esta é a noite mais escura
este negrume perdura,
sem esperança de madrugadas.

No mar da minha ansiedade,
naufrago até a saudade,
do que já fui e passou,
Não queiram saber de mim,
que eu sigo direita ao fim,
contente de ser quem sou




A guitarrada der hoje é pelo conjunto de guitarras de Raul Nery interpretando Variações sobre o fado corrido





quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Não te quero perder


Um modesto cantinho como o meu não podia deixar de referenciar Júlio Vieitas um grande nome já desaparecido em 1990, mas a quem o fado deve muito quer como letrista, quer como interprete.

Quem quiser saber mais sobre a biografia deste fadista das Caldas da Rainha, pode consultar o blog de Vitor Marceneiro, onde a vida deste senhor do fado se encontra resumida.

Aqui canta uma letra de sua autoria sobre a música do fado Proença de Júlio Proença

Andei perdido no cais
nesse dia negro dia
sem te ver na despedida,
entre gemidos e ais,
o mar revolto bramia
insultando a própria vida.

Após a tua partida,
vaguei pela cidade,
quis esquecer-te e bebi,
quis dar novo rumo á vida,
mar era sempre a saudade,
que me falava de ti.

Há quem não pense nem veja,
há mesmo quem não suporte,
esta razão singular,
quando a gente se deseja,
só um fim só a morte,
nos consegue separar.

Perdi-te fiz falsas juras,
partiste e por cá fiquei,
alguns anos sem te ver.
quero esquecer tais loucuras,
agora que te encontrei,
jamais te quero perder


sábado, 16 de janeiro de 2010

Chegou o fim

Pedro Galveias é mais um nome que aqui trago, vencedor da Grande Noite do Fado de Lisboa em 1995 no mesmo ano em que Ana Maurício ganhou em femininos. Ela "alinhando" pelo Mouraria ele pelo Clube Futebol Varejense (o meu querido Varejense).


Letra de António Rocha música de Júlio Proença-Fado Proença

Não volto mais, podes crer,
ao cais onde um dia fui,
para me despedir de ti.
Já me cansei de sofrer
és dor que já não me dói,
és passado que esqueci

Quando partiste deixaste,
uma promessa a meu lado,
que dizia que voltavas,
e nem sequer reparaste,
que também tinhas deixado
saudades que não levavas.

Fui dizer-te adeus ao cais
depois sonhei que voltavas,
voltei ao cais da partida,
ma tu não voltaste mais,
e assim cada vez ficavas,
mais longe da minha vida.

E vi por ti a verdade
hoje no meu coração,
já não mora o desespero.
vivi tanto com a saudade,
que lhe ganhei afeição,
e agora já não te quero.


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Noites perdidas

Artur Batalha cantando no seu poiso actual o Restaurante FEereiras em Lisboa, canta sobre uma música de fado Proença de Júlio Proença esta letra de Sérgio Valentino

Ai quantas noites perdidas,
contigo compartilhadas,
a semear vendavais.
horas falsas mal vividas,
à minha vida roubada,
que não quero viver mais

Ai quem me dera esquecer,
aquelas noites sombrias,
vividas sem qualquer fim,
horas e horas sem ver
sem ver que tu não valias
nem um minuto de mim

O que sofri ninguém sonha
das tuas noites já fartas
de mudarem de paixão
e hoje tenho vergonha,
por não conseguir que partas.
de vez do meu coração






quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Caminhos sem fim

Ainda não tinha trazido a este meu espaço, uma das vozes fundamentais da história do Fado, Maria Teresa de Noronha, também ela já falecida no dia 4 de Julho de 1993.
De origem aristocrática,(Paraty) veio a tornar-se Condessa de Sabrosa pelo seu casamento com D. José António Barbosa de Guimarães Serôdio, grande admirador do Fado, e guitarrista amador com uma sensibilidade fora do comum. também ele autor de alguns fados que fizeram história e que ela igualmente cantou.

Agora, canta este fado com letra de Maria Rita de Carvalho e musica de Júlio Proença-Fado Proença.

Quantos caminhos cruzados
estrada feitas em bocados
vida que Deus baralhou,
o nosso amor foi mais forte,
e lutando contra a morte,
Deus afinal nos juntou.

Juntámos o nosso amor,
risos desgostos e dor,
sonhamos assim viver,
do sonho à realidade,
só nos separa a saudade,
e o desejo de esquecer.

Foi um minuto somente,
que perdura eternamente,
dentro de ti e de mim,
pode a vida separar-nos,
pode a sorte abandonar-nos,
este amor não terá fim.