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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

*Fado da tua ausência

Como sinto a tua falta, 
vive em mim dor que me assalta  
tua voz que mora em mim, 
com a saudade em ferida, 
como em ave perseguida, 
por desprezo teu sem fim. 

 Já não canto como dantes, 
 vão meus versos soluçantes, 
 presos na dor que há em mim, 
levo a noite por guarida, 
 nesta sombra tão sentida, 
 sem teu amor, estou no fim. 

 Sei teu silêncio de cor, 
trago no peito essa dor, 
que não me deixa dormir, 
e quando a noite é mais fria, 
procuro tua alegria, 
sem nunca te descobrir. 

 Ainda guardo o teu olhar, 
como quem espera encontrar 
um pouco do que perdeu, 
mas a distância é ferida, 
que vai sangrando na vida, 
desde o dia em que nasceu. 

 Se um dia voltares a mim, 
talvez renasça o jardim, 
que a saudade fez morrer, 
mas se não voltares mais, 
ficam sonhos imortais, 
que eu não soube esquecer.

Fado  Pedro Rodrigues- Sextilhas
 

 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

*Eu quero vencer a morte

Nesse tempo de sorriso,
nosso mundo tão preciso,
feito céu no paraíso;
seu abraço era carinho
meu marido em nosso ninho,
tudo em nós era improviso.

Vem o vento a separar,
minha vida a desfolhar,
quer meu corpo derrotar;
sou folha longe do lar,
sem teu colo pra me amar,
nem teu filho a me chamar.

Quando vens trazes calor,
por instantes dá-se amor,
mas logo tens que partir.
Tu chegas pra me olhar,
e depois tens de voltar,
e a minha vida por cumprir

O outono então chegou
quando o amor se afastou,
e o meu mundo se quebrou;
sou folha sem direção,
presa à fria solidão,
que o destino me deixou.


E entre a vida e o fim,
há um sopro dentro de mim,
que não quer dizer que sim;
sou folha, mas ainda insisto,
num milagre nunca visto,
pra voltar ao meu jardim.



,musica de Júlio Proença-Fado Proença,

quinta-feira, 26 de março de 2026

*A cidade são os amigos

Volto à cidade querida,
Lisboa em minha vida,
sinto o amor a me chamar…
Risos velhos me acolhem,
dos amigos que se escolhem,
em meu ser hão de morar.

Lisboa abre-me os braços,
cada rua tem seus traços,
do tempo que ali deixei…
Cheira a amor e a luar,
na cidade à beira-mar,
por teu amor eu voltei.

Voltar à cidade querida,
das colinas  minha vida,
passos que não vou dar…
Novos fados me acolhem,
outros ainda se escolhem,
que o tempo não quis levar.

E na tarde que descansa,
fica em mim a lembrança,
de um viver que não morreu,
Lisboa em cada esquina,
com a luz que me ilumina,
num lugar que é só meu.

E pelo tempo a viajar,
consigo me recordar,
doutros tempos já sofridos,
os meus cantos são sentidos,
e juntos dos meus amigos,
mais risos serão vividos.


musica do fado Pedro Rodrigues 

  

quarta-feira, 18 de março de 2026

*Fado da libertação

No grito onde o fado mora,
calando a voz sonhadora,
nunca a deixaram cantar,
com a força da opressão,
prendiam-lhe o coração
do sonho por libertar.

No silêncio que doía,
foi crescendo a rebeldia,
sem jamais se rebelar,
feito lume bem guardado,
num peito já magoado,
na ansia  de se soltar.

Já no outono da vida,
sem voz presa ou contida,
libertou seu coração,
deu ao mundo o seu cantar,
fez da dor outro  lugar,
e da mágoa a  canção.

E hoje canta sem temor,
já não cala a sua dor,
nem se prende ao que passou,
é voz livre e na verdade,
já não vive de ansiedade
canta  a vida  que  sonhou



,musica de Júlio Proença-Fado Proença,

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

*Cada estrofe é despedida.

.

Dorme a dor dentro de mim,
Perde o peito, a paz enfim.
Põe a alma em desencanto;
Perde o eco, a minha voz.
Sem canto que fale em nós,
Fica a vida mudo pranto.

Na noite que não termina,
Meu fado não se ilumina;
Cada nota é meu degredo.
Se o tempo não apagou,
Cada lágrima que ficou;
Nesta dor traz meu segredo

Morre a luz no meu olhar,
Nada fico a recordar.
Cada nota é minha vida,
Fica só o meu enredo.
O fado leva meu segredo.
Cada estrofe é despedida.


Marceneiro-Fado cravo
 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

*Não me cantes por compaixão

Não cantes por compaixão
se não sentes no coração
os sons da minha voz.
Antes quero que me digas
se ao meu canto já não ligas,
e hoje já não somos  nós

O meu fado não pede pena 
nem se canta fazendo cena 
se  o cantares  sem amor,
pois perde a sua verdade, 
 a alma fica em saudade
perde  todo o seu valor 

Não quero o teu cuidado, 
nem o gesto disfarçado 
que teu peito já não sente. 
mata  a tua compaixão,
e não mintas ao coração,
meu fado dor, está carente,  

Musica do fado cravo de Alfredo Marceneiro  

domingo, 7 de dezembro de 2025

*O sol do teu amor



O sol do teu amor 

Chamei-te na noite fria,
noite que a sombra prendia,
quando virás, meu amor?
Vem rasgar tanta saudade,
traz de volta a claridade,
ao verão do teu calor.

Se tua mão me toca, breve,
nem que seja ao de leve,
traz contigo o teu sabor.
Fica perto, não te vás,
quero tudo o que me dás,
e aquece este nosso amor.

Sinto o vento que dizia,
como voz que me anuncia
o regresso do teu calor.
Rompe a noite a claridade,
foge enfim a ansiedade,
ao verão do teu amor.

Vem, meu louco pensamento,
vem ao sabor desse vento
que traz teu riso — meu calor.
Vem romper o meu anseio,
que deixa o coração cheio,
dá-me o sol do teu amor.


Fado João Maria dos Anjos 


 

sábado, 15 de novembro de 2025

*As rugas duma vida

As rugas que tenho agora
são memórias de outrora,
marcas do que já sonhei.
Se um dia fui mocidade,
hoje trago só metade
do sorriso que deixei.

 Os meus passos vão mais lentos,
carregam velhos momentos
que o coração me deixou.
E no espelho que me fita
há uma vida já escrita
que o tempo não perdoou.

Quando a luz do fim da tarde
entra e no rosto se alarde,
revela o que o tempo fez.
Mas ainda tenho esperança,
num resto daquela dança
do que fui na minha vez.

E se a noite desce em calma,
a luz inside em minha alma
e reacende o que restou.
Do sorriso que perdi,
há  um pouco ainda em si
que o tempo não apagou.

música do fado Porto


.  

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

*Fado do que ficou

Já passou o teu perfume,
mas na casa fica o lume
que deixaste ao te afastar,
é calor que não se apaga,
mesmo quando a alma vaga
pelos cantos do lembrar.

Nos retratos da memória,
guardo o fim da nossa história,
feito em sombra e claridade.
Se outro amor vier depois,
será eco de nós dois,
e do tempo, a eternidade


Se o destino assim quisera,
que o amor fosse quimera,
ficarei sem te esquecer.
Pois nas cordas da guitarra,
toda a dor que o fado amarra
volta sempre a renascer.

Mesmo só, sigo a cantar,
pois na voz quero guardar
tudo o que o amor deixou.
Cada nota é despedida,
mas também promessa erguida
num fado do que ficou 

musica do fado Pedro Rodrigues 

  

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

*A Luz do Teu Olhar


Pelas ruas da saudade,
Ecoa a felicidade;
Que a lua vem anunciar.
No mistério dessa hora,
Toda a dor se vai embora;
Quando vens me procurar.

Sob a luz prata do céu,
Teu olhar é como um véu;
Que me beija e me embala.
Quando o sonho se ilumina,
Tua voz, tão cristalina;
Vem meu corpo despertar.

No olhar arde o mistério,
No beijo, o lume etéreo;
Que o silêncio me deixou.
Tua voz, doce ventura,
Desperta em mim ternura;
Que o tempo eternizou.

Nas sombras nasce o desejo,
Fogo intenso do teu beijo;
Como brisa a me tocar.
É no quarto que floresce,
Esse amor que me enriquece;

Com teu corpo a me abraçar. 


musica de João Maria dos Anjos,   

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

*Eterno fado

Nestes versos fiz  morada 
Da ternura desejada 
Onde o sonho vem morar 
A canção que nos embala 
Como vento que não cala 
Na promessa de te amar 

Sob a luz branca do luar 
Vem meu peito te esperar
No compasso da canção
A saudade se disfarça 
Na ternura que se enlaça
No silêncio da paixão 

No encanto de te amar
O teu rosto vem brilhar 
Feito estrela a me guiar 
Um encanto que se acende 
Quando a noite nos entende 
E decide nos juntar 

Nos caminhos do destino 
Há traçado tão divino 
Que nos leva a um só lugar 
Onde o fado se entrelaça 
Com a vida que se abraça 
No desejo de ficar 

Neste verso fica escrito 
O segredo mais bonito 
Que a alma quis revelar 
Entre sonhos e luar 
Nosso amor há de ficar
Para sempre a cintilar

Alfredo Marceneiro-Fado cravo

 

domingo, 31 de agosto de 2025

*Nosso amor ganhou o Mundo

..

O tempo fugia sem par,
cruel, sem se importar,
sem saber do meu anseio.
Mas quiseste me chamar,
para irmos ver o mar,
num tão doce devaneio.


Fomos então ver o mar, 
nas ondas te fui amar, 
num desejo tão profundo, 
sem ter medo de ficar, 
nem ninguem a amarrar 
nosso amor ganhou o mundo. 

Nas ondas que vão e vêm, 
cada gesto teu contém 
um futuro a desvendar, 
mas o tempo, já não tem 
plo nosso amor o desdém 
nem o poder de o calar.

 
O presente em nós se faz, 
um momento que é de paz, 
sem passado a nos prender. 
Cada olhar é liberdade, 
vivendo só na verdade, 
sem temer o que há de ser. 

Quando os sonhos se encontraram,
nossas vidas se abraçaram,
que o agora eternizou.
Seja nas ondas, no vento,
nosso amor no firmamento
agora enfim se afirmou.



 Franklim Godinho-sextilhas

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

*Canto este fado para ti

Trago um grito, em minha alma,
trago um fado pra cantar,
com serena e doce calma,
Feito só pra te lembrar,
canto este fado pra ti
e toda a vida te adorar

Tenho um nó dentro do peito,
Que não posso desatar,
E saudades em meu leito,
Que insiste em te chamar,
Canto este fado pra ti,
E sonhando te beijar

Tenho um fado, na garganta,
E um sonho em meu olhar
e minha alma já se encanta,
Só por ver o teu passar,
canto este fado pra ti,
na alegria de te amar

Tenho choro, em minha alma
mas que não quero dizer,
Suave dor que não se acalma
Com vontade de viver
Canto este fado pra ti
Com medo de te não ter

musica do fado Perseguição de Carlos da Maia

sábado, 19 de julho de 2025

*Canto este fado para ti

Trago um grito, em minha alma,
trago um fado pra cantar,
com serena e doce calma,
Feito só pra te lembrar,
canto este fado pra ti
e toda a vida te adorar

Tenho um nó dentro do peito,
Que não posso desatar,
E saudades em meu leito,
Que insiste em te chamar,
Canto este fado pra ti,
E sonhando te beijar

Tenho um fado, na garganta,
E um sonho em meu olhar
e minha alma já se encanta,
Só por ver o teu passar,
canto este fado pra ti,
na alegria de te amar

Tenho choro, em minha alma
mas que não quero dizer,
Suave dor que não se acalma
Com vontade de viver
Canto este fado pra ti
Com medo de te não ter

na música do Fado cravo de Alfredo Marceneiro

sábado, 10 de maio de 2025

*O segredo que vive em mim


Guardo no peito, um segredo, 
nome quase dito a medo, 
nesse olhar, que vive em mim 
nos lábios, beijo suspenso, 
no teu amor em que penso. 
faço do mundo, um jardim. 

Tua sombra me acompanha, 
noite dentro, se desenha , 
como um sopro que me cala, 
como um eco que persiste, 
amor destino que existe, 
vida esquecida, sem fala. 

O coração guarda teu nome, 
eco leve em voz com fome, 
o vento traz me teu riso, 
vem na brisa o teu perfume, 
uma saudade que assume, 
o teu olhar que eu preciso. 

Levo-te em cada caminho, 
em cada passo sozinho, 
como quem sonha e não diz, 
como quem ama e nao fala, 
sopro , que guardo e se cala 
gritando o amor que te quis.

,musica de Júlio Proença-Fado Proença,

sexta-feira, 18 de abril de 2025

*A saudade que chora


Caminho só, noite fora
com a saudade que chora,
no silêncio que há em mim.
Levo o peso do que fomos,
hoje não temos nem somos,
um abraço que diga sim.

Ouço silêncios e entendo,
que é o coração tremendo,
por tudo o que já vivi,
As promessas que sonhei,
nos teus olhos mergulhei,
E depois, fiquei sem ti,

O tempo, velho barqueiro,
segue lesto, passageiro,
plos sonhos que afundaste.
Na maré de não te ter,
mas nas ondas do querer,
onde nunca navegaste,

Fiz da esperança meu ninho,
mesmo sem flor no caminho,
que devolva a ilusão,
que traga teu novo olhar,
e a coragem de caminhar,
que
à vida me dê razão.

Frederico de Brito-fado britinho


 

quarta-feira, 19 de março de 2025

*Teu silencio é meu castigo

A noite chora em segredo, 
saudade que é dor, que é medo, 
que o tempo não faz passar, 
mas não deixa eu esquecer, 
meu coração a sofrer ,
que  não deixa de te amar. 
 
Teu silêncio fez-se um muro, 
do amor que é  tão puro 
um sonho, todo verdade. 
tendo espinhos na roseira, 
rosa guardada  vida inteira 
que cheira e não se evade 

Saudade é força escondida, 
é dor que existe na vida, 
que no peito vai morar, 
teu adeus foi meu lamento, 
cada segundo um tormento,
não para de te recordar. 

A saudade  em mim se esconde, 
porque só   á dor responde, 
tempo que  cada instante dói, 
teu silêncio é o meu castigo, 
é o teu amor que eu persigo, 
dor que meu peito destrói 

No silêncio que me invade,
fere a alma, é tempestade,
vento que não quer passar.
Teu olhar foi minha estrada,
luz que acende e não diz nada,
mas não deixa de brilhar.


 Casimiro Ramos-Fado 3 bairros,.

domingo, 16 de março de 2025

*Tua eterna amante


Saudade que não se foi,
Desse amor que ainda doi,
Que a vida virou distante,
Pensamento é meu penar,
E agora só sei recordar,
como foi bom, ser tua amante.


Desejo não se findou,
Quem uma vez te beijou,
No encanto desse dia,
Na doçura dessa boca,
Deixou a minh alma louca,
E nova vida se abria

Ficou em mim o juramento,
Feito ao sopro do vento ,
Ecoando na lembrança,
Mesmo a vida sendo fria,
Resiste a chama que ardia,
Nas margens da esperança,

Estando sentada a lareira,
Ou de outra qualquer maneira
O desejo não se acabou,
Mas eu só sei relembrar,
Que não te posso abraçar
Mas meu amor nao findou,

Eterno amor em meu viver
No peito, a querer te ter
Tudo como era dantes ,
Mesmo na noite sombria
Resistindo a agonia,
Sou tua eterna amante


Acácio Gomes-Fado Acácio

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

*A força para vencer

Se a vida escorre inclemente, 
sendo dor em nossa mente, 
fruto da nossa lembrança, 
mas a alma sempre crê, 
que a luz que não se vê, 
seja a chama da esperança. 

Quando o vento sopra triste, 
parecendo que o sol não existe 
traçando um destino incerto, 
risca na alma outro brilho, 
que seja um novo trilho, 
faz da esperança um céu aberto 

A vida tem vários caminhos, 
feita de pedras e espinhos, 
mas só o amor dá o poder, 
de seguirmos sem ter receio, 
até com derrotas pelo meio, 
encontrar força pra vencer. 


 Joaquim Campos-Fado Vitória

domingo, 9 de fevereiro de 2025

*Mãos vazias de ti


Se as mãos, sem teu abrigo, 
os meus olhos, por castigo, 
já não podem mais chorar, 
boca seca, voz calada , 
dor agreste que se embala, 
por não me quereres amar. 

No silêncio, o peito cala, 
cada sombra que se instala, 
saudades a devorarem, 
mas na fria realidade, 
mãos vazias, frialdade, 
sem ter poiso pra morarem 

 
Sabe-se lá se o amor, 
É um espelho sem calor, 
que reflete estar sem ti 
nos meus lábios, teu sabor, 
nos meus olhos, o torpor, 
nas mãos, tudo o que perdi 

No meu peito, a noite fria ,
sem teu lume, a luz fugia ,
caminhando sem te achar ,
pelos becos da lembrança, 
onde a dor nunca descansa, 
sem teu corpo pra me abraçar, 


O segredo, tão guardado, 
é vazio, silêncio dado, 
num suspiro mais profundo. 
olhos secos, naufragados, 
lábios rubros, condenados, 
num adeus ser fim do mundo. 


 Alfredo Correeiro-Fado Correeiro