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quarta-feira, 11 de junho de 2008

A Lenda das Rosas

Volto com Hermano da Câmara, num fado com letra de Linhares Barbosa e música de António de Bragança.

Não sei porque razão Hermano da Câmara na cantou as estrofes, que aqui destaco na letra a preto, mas optei por publicar completa, conforme ouço cantar a outros fadistas.

Na mesma campa nasceram
Duas roseiras a par,
Conforme o vento as movia
Iam-se as rosas beijar

Deu uma rosas vermelhas,
Desse vermelho que os sábios
Dizem ser da cor dos lábios,
Onde o amor põe centelhas

Da outra, gentis parelhas
De rosas brancas vieram,
Só nisso diferentes eram,
Nada mais as diferenciou

A mesma seiva as criou
Na mesma campa nasceram

Dizem contos magoados
Que aquele triste coval
Fora leito nupcial
De dois jovens namorados,

Que, no amor contrariados,
Ali se foram finar,
E continuaram a amar
Lá no além todavia

E por isso ali havia
Duas roseiras a par

A lenda, simples, singela,
Conta mais, que as rosas brancas
Eram as mãos puras, francas,
Da desditosa donzela

E ao querer beijar as mãos dela,
Como na vida fazia,
A boca dele se abria
Em rosas de rubra cor

E celebravam o amor
Conforme o vento as movia

Quando as crianças passavam
Junto aquela sepultura
Toda a gente afirma e jura
as rosas brancas coravam

E as vermelhas se fechavam
Para ninguém lhes tocar
Mas que alta noite, ao luar
Entre um séquito de goivos,

Tal qual os lábios dos noivos
Iam-se as rosas beijar. "




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