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quinta-feira, 6 de novembro de 2025

*Fado do que ficou

Já passou o teu perfume,
mas na casa fica o lume
que deixaste ao te afastar,
é calor que não se apaga,
mesmo quando a alma vaga
pelos cantos do lembrar.

Nos retratos da memória,
guardo o fim da nossa história,
feito em sombra e claridade.
Se outro amor vier depois,
será eco de nós dois,
e do tempo, a eternidade


Se o destino assim quisera,
que o amor fosse quimera,
ficarei sem te esquecer.
Pois nas cordas da guitarra,
toda a dor que o fado amarra
volta sempre a renascer.

Mesmo só, sigo a cantar,
pois na voz quero guardar
tudo o que o amor deixou.
Cada nota é despedida,
mas também promessa erguida
num fado do que ficou 

musica do fado Pedro Rodrigues 

  

2 comentários:

Anónimo disse...

Este poema foi um caso e amor à primeira vista. Andava eu a treinar o fado da freira quando o Luís postou este poema, em sextilhas de 7 sílabas. Gostei do poema mas então houve um CLIC, tipo "espera lá, isto enquadra-se na perfeição no fado da freira!". E enquadra-se mesmo, muito bem!
E pronto, com a permissão do autor - que eu cá não sou de intrigas - tenho cantado o fado da freira com este poema e vai ser um dos dois que levo amanhã à eliminatória do Concurso de Fado Amador do Clube dos Artistas, de Lagos.
Se não ganhar alguma coisa a culpa não será do Luís, mas do intérprete :(

Anónimo disse...

Estás a vontade