No grito onde o fado mora,
calando a voz sonhadora,
nunca a deixaram cantar,
com a força da opressão,
prendiam-lhe o coração
do sonho por libertar.
No silêncio que doía,
foi crescendo a rebeldia,
sem jamais se rebelar,
feito lume bem guardado,
num peito já magoado,
na ansia de se soltar.
Já no outono da vida,
sem voz presa ou contida,
libertou seu coração,
deu ao mundo o seu cantar,
fez da dor outro lugar,
e da mágoa a canção.
E hoje canta sem temor,
já não calo a sua dor,
nem se prendo ao que passou,
é voz livre e na verdade,
já não vive de ansiedade
canta a vida que sonhou
,musica de Júlio Proença-Fado Proença,